Defensores dos direitos dos imigrantes e moradores de Meriden, em Connecticut, realizaram uma manifestação em frente ao tribunal da cidade nesta quinta-feira, em reação à prisão de um homem por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) dentro do prédio na semana passada.
O episódio provocou questionamentos de organizações de direitos civis, que agora analisam se os agentes federais violaram uma lei estadual ao entrarem no tribunal e passarem por uma área de segurança para efetuar a prisão.
Durante o protesto, participantes carregaram cartazes e entoaram palavras de ordem contra as operações do ICE e em defesa da comunidade imigrante. Os manifestantes afirmaram que as recentes ações das autoridades federais têm provocado medo entre moradores, mas disseram que pretendem continuar mobilizados.
Milagros Biroscak, moradora de Meriden e cidadã americana de origem porto-riquenha, participou do ato para demonstrar solidariedade aos imigrantes da cidade. Ela afirmou considerar essas pessoas parte de sua própria comunidade.
“Eles são nossa família e estamos aqui para apoiá-los, porque não concordamos com o que o ICE está fazendo atualmente”, declarou.
Entre os organizadores estavam integrantes do Hartford Rapid Response e da Middlesex Immigrant Rights Alliance (MIRA).
Rhett Tock, membro do Hartford Rapid Response, afirmou que não viu agentes do ICE durante a manifestação, mas defendeu que Connecticut aplique uma legislação estadual recentemente aprovada que prevê mecanismos para responsabilizar agentes federais por eventuais violações de direitos civis.
Tock mencionou especificamente a SB 397 e argumentou que a aplicação das proteções previstas pela legislação é necessária para impedir eventuais abusos durante operações de imigração.
A prisão ocorrida dentro do tribunal também levantou questionamentos sobre os limites da atuação das autoridades federais em instalações judiciais estaduais. Organizações de direitos civis estão examinando as circunstâncias da entrada dos agentes no prédio e se houve alguma violação das normas de Connecticut.
Medo entre moradores
Participantes do protesto relataram que o receio de operações migratórias tem afetado integrantes da comunidade.
A vereadora Yvette Cortez contou que uma das pessoas presentes estava com medo até mesmo de falar durante a manifestação porque temia começar a chorar diante dos demais participantes.
Segundo Cortez, ela segurou a mão da mulher e procurou transformar aquele sentimento em motivação para continuar a mobilização.
“Alguns de nós conversamos sobre como todos estamos assustados e um pouco nervosos de estar aqui. Mas vamos usar isso para impulsionar nossas ações. Não vamos permitir que o medo seja usado para silenciar nossa voz”, afirmou.
Cortez disse ainda que moradores têm procurado seu gabinete em busca de informações sobre como agir diante das operações migratórias. Embora reconheça os limites do que autoridades municipais podem fazer, a vereadora afirmou que existem outras formas de prestar apoio.
Uma delas é acompanhar imigrantes quando eles precisam comparecer a audiências e outros procedimentos judiciais.
“Podemos estar presentes para nossos vizinhos, apoiá-los e permanecer ao lado deles durante este momento difícil”, declarou.
A mobilização em Meriden ocorre em meio ao aumento das preocupações de organizações comunitárias de Connecticut com a presença de agentes federais de imigração em locais públicos e, particularmente, com ações realizadas em espaços ligados ao sistema judicial.
Agora, além da repercussão provocada pela prisão, grupos de direitos civis querem determinar se a forma como os agentes do ICE entraram no tribunal e realizaram a detenção respeitou as leis estaduais e os limites aplicáveis à atuação das autoridades federais.




