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Intérprete afegão que ajudou forças dos EUA é preso pelo ICE em Connecticut e rotulado como “ameaça à segurança nacional”

Um intérprete afegão identificado apenas como Zia, que trabalhou com as forças armadas dos Estados Unidos no Afeganistão, foi preso no dia 16 de julho por agentes federais em Connecticut sob a acusação de representar uma “ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”, segundo documento oficial apresentado por autoridades de imigração na última sexta-feira (25).

A prisão aconteceu logo após Zia deixar um compromisso de rotina com o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), relacionado ao seu processo de pedido de residência permanente. Ele foi detido por seis agentes mascarados do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e, desde então, está sob custódia na Plymouth County Correctional Facility, em Massachusetts, já que o estado de Connecticut não possui centros federais de detenção imigratória.

Zia entrou legalmente no país no ano passado, por meio de um processo de parole humanitário, acompanhado de sua esposa e cinco filhos. De acordo com sua advogada, Lauren Petersen, ele não possui antecedentes criminais e “fez tudo corretamente desde que chegou aos Estados Unidos”.

“O Zia arriscou a vida para proteger os interesses dos EUA no exterior. Ele nunca representou, nem representa agora, uma ameaça à segurança nacional”, afirmou Petersen em declaração ao portal CT Insider. Segundo ela, a acusação é vaga e não foi acompanhada de detalhes ou provas.

O Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona o ICE e o USCIS, limitou-se a afirmar que Zia está sob investigação por uma “grave acusação criminal”, sem esclarecer do que se trata. O FBI, que teria alertado o ICE sobre o suposto risco à segurança nacional em maio, também se recusou a comentar o caso.

Ainda assim, o ICE revogou o parole humanitário de Zia no mesmo dia da prisão e emitiu uma ordem de remoção rápida, alegando que ele não possuía um documento de entrada válido — mesmo com registros confirmando que sua entrada foi aprovada pela embaixada dos EUA em Cabul.

Segundo a organização de veteranos #AfghanEvac, que vem apoiando Zia, o intérprete já havia sido alvo de perseguição por parte do Talibã. O grupo extremista teria tentado sequestrá-lo, e, ao falhar, capturou e torturou seu irmão. A organização alerta que, se for deportado, Zia enfrentará risco real de morte.

Zia entrou com uma petição na Justiça Federal de Massachusetts para contestar sua prisão. O Departamento de Justiça, por sua vez, alega que a corte não tem autoridade legal para revisar a revogação do parole nem a ordem de remoção. Ainda assim, um juiz determinou que o governo não poderá deportá-lo sem aviso prévio de 72 horas.

Enquanto aguarda o desfecho judicial, Zia terá direito a uma entrevista de “medo crível”, procedimento padrão no processo de asilo, para determinar se sua alegação de risco de retorno ao Afeganistão é válida. A data da entrevista ainda não foi divulgada.

A repercussão do caso levanta críticas à forma como o governo dos EUA tem tratado ex-colaboradores afegãos que ajudaram o país durante a guerra. “Se Zia for deportado, ele será executado”, afirmou sua advogada. “Estamos lutando com todas as forças para garantir sua liberdade e reunir essa família novamente.”

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