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ICE intensifica prisões e deportações em Connecticut

As ações de imigração em Connecticut cresceram de forma acentuada em 2025, refletindo a política de endurecimento do presidente Donald Trump. Dados obtidos pelo Deportation Data Project, via pedido de acesso à informação (FOIA), e analisados pelo Connecticut Mirror, mostram que o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) mais que dobrou o número de prisões e quase triplicou as deportações no estado em comparação com o mesmo período de 2024.

Entre janeiro e julho de 2025, o ICE realizou 405 prisões em Connecticut, contra 173 no mesmo período do ano anterior. Já as deportações cresceram 237,7%, com um aumento de 145 pessoas removidas do país. A maioria foi enviada de volta ao Equador, seguido de Guatemala, México, Honduras e República Dominicana.

Operações em Danbury

Danbury tem sido um dos principais focos de atividade. Em junho, entre 12 e 15 pessoas foram detidas próximo ao Tribunal Superior da cidade, segundo o grupo Greater Danbury Unites for Immigrants. Já em agosto, a operação federal batizada de “Operation Broken Trust” resultou na prisão de 65 imigrantes em Connecticut, incluindo pelo menos seis em Danbury. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram confrontos entre agentes do ICE e ativistas na área do tribunal.

Juan Fonseca Tapia, organizador comunitário, classificou as detenções como “sequestros sancionados pelo Estado”, denunciando o impacto psicológico sobre famílias e jovens imigrantes. Um dos casos destacados foi o de um adolescente de 18 anos levado sob custódia após ter sido preso inicialmente por uma ocorrência de perturbação sonora.

Repercussão política e comunitária

As ações geraram fortes reações. O senador estadual Ryan Fazio (R-Greenwich) elogiou o trabalho do ICE e criticou as políticas de santuário de Connecticut, afirmando que elas atraem imigrantes indocumentados, inclusive criminosos condenados.

Já o capitão Mark Williams, do Departamento de Polícia de Danbury, disse nunca ter visto operações desse porte e destacou a falta de comunicação entre agentes federais e autoridades locais devido ao Trust Act, que limita a cooperação entre polícias estaduais e o ICE.

Senador federal Richard Blumenthal (D-Conn.), por sua vez, anunciou a abertura de uma investigação sobre “táticas abusivas e potencialmente ilegais” usadas pelo ICE no estado. Ele citou denúncias de uso excessivo da força, detenções de cidadãos norte-americanos e ameaças contra autoridades locais, incluindo o senador estadual Corey Paris.

Outros casos no estado

Além de Danbury, prisões chamaram atenção em Stamford, Norwalk, New Haven, New Britain, Meriden e Newington. Entre os episódios mais noticiados:

Uma mãe de dois filhos detida em New Haven diante das crianças.

O estudante Esdrás, de 18 anos, levado em julho em seu local de trabalho em New Haven, posteriormente transferido para centros de detenção fora do estado.

Dois irmãos detidos em Norwalk após serem imobilizados com taser em plena rua.

Um ex-intérprete afegão do Exército norte-americano, admitido por razões humanitárias, preso em julho e levado para Plymouth, Massachusetts.

Sete trabalhadores detidos em um lava-rápido em Newington, incluindo duas mães com filhos pequenos, uma delas recém-saída de cirurgia.

Ativistas, como Constanza Segovia, do Hartford Deportation Defense, afirmam que a escalada das operações tem deixado famílias imigrantes em constante estado de medo, inclusive de levar os filhos à escola ou buscar atendimento médico.

Transferências para fora do estado

Como Connecticut não possui centros de detenção próprios, os detidos são transferidos rapidamente para unidades em outros estados. Desde 20 de janeiro, 348 imigrantes detidos em Connecticut foram enviados para centros de detenção, principalmente o Plymouth Correctional Facility (Massachusetts) e o Alexandria Staging Facility (Louisiana). No total, já ocorreram 1.262 transferências neste período, já que uma mesma pessoa pode ser movida mais de uma vez.

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