A Tennessee Immigrant and Refugee Rights Coalition (TIRRC), uma das principais organizações de defesa dos direitos dos imigrantes no estado do Tennessee, entrou com uma ação judicial contra a Tennessee Highway Patrol (THP), acusando a polícia rodoviária estadual de realizar abordagens de trânsito direcionadas a imigrantes em cidades como Memphis e Nashville. O processo levanta sérias acusações de perfilamento racial, abuso de autoridade e cooperação irregular com agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE), agência federal responsável pela imigração nos Estados Unidos.
A ação judicial foi protocolada em meio ao aumento das operações de fiscalização envolvendo imigrantes em diversas regiões do país e rapidamente ganhou repercussão nacional. Segundo os autores do processo, policiais estaduais estariam utilizando infrações simples de trânsito como pretexto para investigar o status migratório de motoristas, principalmente latinos, transformando operações de segurança viária em ações de fiscalização imigratória.
De acordo com a TIRRC, as práticas adotadas pela Tennessee Highway Patrol violam direitos constitucionais garantidos pela Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege cidadãos e residentes contra detenções, buscas e apreensões consideradas abusivas ou sem justificativa legal adequada. A organização afirma ainda que muitos motoristas passaram a viver sob constante medo de serem abordados, mesmo durante atividades comuns do cotidiano, como ir ao trabalho, frequentar igrejas, levar filhos à escola ou realizar compras.
O processo cita relatos de imigrantes que afirmam ter sido questionados diretamente sobre local de nascimento, documentos migratórios e nacionalidade durante abordagens relacionadas a infrações consideradas leves. Em alguns casos, segundo as denúncias, agentes do ICE teriam sido acionados após as paradas de trânsito, resultando na detenção de pessoas sem antecedentes criminais.
A repercussão aumentou após veículos de comunicação locais divulgarem imagens de operações nas quais policiais perguntavam a motoristas se eles eram cidadãos norte-americanos ou onde haviam nascido. Para organizações de direitos civis, esse tipo de conduta caracteriza perfilamento racial e cria um ambiente de intimidação contra comunidades imigrantes.
A diretora executiva da TIRRC, Lisa Sherman Luna, afirmou que a entidade decidiu recorrer à Justiça para proteger os direitos constitucionais dos imigrantes e impedir que operações policiais sejam usadas como ferramenta de perseguição migratória. Segundo ela, o objetivo da ação é garantir que forças policiais estaduais atuem exclusivamente em questões de segurança pública e não em ações voltadas ao controle imigratório federal.
“Famílias estão vivendo com medo constante. Pessoas honestas, trabalhadoras, que ajudam a movimentar a economia local, passaram a temer até mesmo dirigir para trabalhar ou levar os filhos à escola”, declarou a organização em comunicado divulgado à imprensa.
Os autores do processo pedem que a Justiça determine o fim da colaboração considerada irregular entre a Tennessee Highway Patrol e o ICE em operações de trânsito cujo foco principal seja imigração. A ação também busca impedir futuras abordagens baseadas em critérios raciais ou étnicos.
O caso ocorre em um momento de forte tensão envolvendo políticas migratórias nos Estados Unidos. Nos últimos meses, estados governados por lideranças conservadoras intensificaram medidas de fiscalização relacionadas à imigração ilegal, enquanto organizações de defesa dos direitos civis denunciam abusos e violações constitucionais contra comunidades estrangeiras.
Até o momento, a Tennessee Highway Patrol não divulgou detalhes completos sobre sua defesa no processo, mas autoridades estaduais afirmam que as operações policiais seguem protocolos legais de segurança pública. O caso agora deverá ser analisado pela Justiça federal e pode abrir um novo capítulo no debate sobre os limites da cooperação entre forças policiais locais e agentes federais de imigração nos Estados Unidos.




