A ativista brasileira Carolina Bortolleto, integrante do grupo Greater Danbury Unites for Immigrants, tornou-se uma das principais vozes na mobilização contra a recente operação do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) em Connecticut, que resultou na prisão de 65 imigrantes em apenas quatro dias.
No dia 20, Carolina esteve à frente de um protesto em frente ao Tribunal Superior de Danbury, onde cerca de 100 pessoas, protegidas por guarda-chuvas sob chuva intensa, entoaram gritos em inglês de “ICE fora de Connecticut agora”.
“Está nas mãos de nossos líderes encontrar coragem para proteger nossas comunidades. Não podemos esperar mais”, afirmou Carolina, destacando que a presença do ICE em Danbury e em outras cidades de Fairfield County tem sido constante nas últimas semanas.
Segundo a ativista, agentes federais têm atuado semanalmente na região, inclusive com denúncias de operações em que oficiais se disfarçaram de trabalhadores da construção civil. Ela também citou a prisão de duas pessoas nos degraus do tribunal de Danbury neste mês como exemplo do aumento da pressão contra imigrantes.
Em comunicado, o ICE confirmou que 65 pessoas foram detidas na operação chamada “Operation Broken Trust”. De acordo com a agência, 29 delas têm condenações ou acusações por crimes graves, incluindo sequestro, agressão, tráfico de drogas, posse de armas e crimes sexuais.
A prisão de Edwin Andres Calva-Guaman, ocorrida na semana passada no mesmo tribunal de Danbury, foi citada no protesto. Familiares relataram que ele foi convocado por orientação do advogado, mas não tinha audiência marcada naquele dia. O ICE, no entanto, afirma que ele possui condenação por furto e responde a outros processos criminais.
Durante o ato, Carolina Bortolleto reforçou a necessidade de mudanças na legislação estadual. Ela e outros organizadores pressionam o governador Ned Lamont e a Assembleia Legislativa de Connecticut para que reforcem a Lei TRUST, que limita a cooperação entre autoridades locais e agentes federais de imigração.
Entre as principais reivindicações está a proibição de prisões dentro e nos arredores de tribunais, prática que, segundo ativistas, intimida a comunidade imigrante e dificulta o acesso ao sistema de Justiça.
“Quando famílias deixam de ir ao tribunal por medo de serem presas, não estamos falando apenas de imigração, mas de um ataque direto à segurança pública”, disse Carolina.





