Após meses de mobilização, protestos e depoimentos emocionados, a Câmara Municipal de Bridgeport (Connecticut) aprovou, nesta semana, uma resolução que amplia as proteções para residentes imigrantes — uma conquista que líderes comunitários classificam como um marco histórico e símbolo da resistência de uma comunidade que há anos vive sob medo.
A votação, acompanhada por dezenas de moradores, ativistas e famílias, transformou o plenário da prefeitura em um cenário de comemoração. Integrantes da organização Make the Road Connecticut (MRCT), que liderou a campanha pela aprovação da medida, exibiam camisetas e cartazes com mensagens de apoio. Quando o resultado foi anunciado, aplausos, abraços e lágrimas tomaram conta do espaço — e as vozes ecoaram em espanhol: “¡Sí, se puede!” (“Sim, nós podemos!”).
“Essa é uma grande vitória”, declarou Sonia Hernandez, organizadora da MRCT e imigrante indocumentada de Honduras, que vive em Bridgeport há mais de uma década. “Não podemos esperar o ICE atacar nossas famílias. Nossos filhos devem se preocupar com os estudos, não com o medo de não encontrar os pais ao voltar da escola.”
A resolução, proposta pelo vereador Jorge Cruz Jr. e coassinada por Denese Taylor-Moye e Alfredo Castillo, reafirma o compromisso da cidade em proteger famílias imigrantes. O texto recomenda que ações de imigração se limitem a casos que representem risco à segurança pública e pede o fim das operações do ICE em espaços públicos como escolas, igrejas e áreas comunitárias. A medida também proíbe que autoridades locais colaborem com a aplicação civil das leis de imigração e exige transparência sobre solicitações de agentes federais.
“Não queria ver Bridgeport se tornar mais um lugar onde famílias são destruídas”, afirmou Cruz. “Digo à comunidade imigrante: continuem fortes, de olhos abertos, mas sem viver com medo. Estamos juntos nisso.”
Bridgeport possui uma das maiores populações hispânicas de Connecticut, e muitos imigrantes — especialmente os indocumentados — vivem com medo constante. Para Daira Marin, coordenadora juvenil da MRCT, a resolução é um passo importante em direção à dignidade. “Ninguém deveria ter medo de comprar pão, levar os filhos à escola ou ir trabalhar. Mudanças locais como essa é que impulsionam grandes transformações.”
Entre os presentes, o sentimento era de alívio e esperança. “Agora sinto que podemos respirar um pouco”, disse Nelly Mendoza, moradora da cidade e integrante da MRCT. “Quando falamos e nos unimos, as coisas acontecem.”
A aprovação também é vista como um exemplo para outras cidades de Connecticut, como Stamford e Danbury, que podem adotar medidas semelhantes. Para os defensores, o gesto representa mais do que uma decisão política: é um reconhecimento da humanidade e da contribuição dos imigrantes.
“Esta resolução é sobre dignidade, respeito e o direito de ser visto como humano”, afirmou Hernandez. “Diz à comunidade de língua espanhola que eles não estão sozinhos, que suas vidas importam e que seus filhos merecem crescer sem medo.”
Embora a medida não altere diretamente as leis federais, ela estabelece uma posição clara de Bridgeport em relação à imigração e cria uma estrutura para monitorar e cobrar transparência das autoridades. A MRCT planeja acompanhar a implementação e continuar pressionando por mudanças em nível estadual e nacional.
“Quando mostramos nossa força, eles precisam ouvir”, concluiu Hernandez. “Somos parte desta cidade. Trabalhamos aqui, criamos nossos filhos aqui e merecemos viver em segurança.”





