Enquanto é comum que oficiais enfrentem afastamento administrativo remunerado durante investigações internas, o chefe de polícia de Bridgeport, Roderick Porter, permanece no comando da corporação. A decisão da administração do prefeito Joe Ganim de mantê-lo no posto ocorre apesar de Porter ser o alvo de duas investigações conduzidas por consultorias jurídicas externas e de enfrentar um processo federal movido por subordinados.
Atualmente, Porter está sob o escrutínio de dois escritórios de advocacia contratados pela cidade para apurar queixas de má conduta e liderança.
Jackson Lewis: Investiga alegações feitas pelo tenente Jason Amato, que acusa Porter de abuso de autoridade e de manter um ambiente de trabalho hostil. Amato e outros cinco oficiais (todos brancos) protocolaram um processo federal alegando que Porter (que é negro) os discriminou em questões de disciplina e promoções.
Husch Blackwell: Analisa uma queixa semelhante de April Gale, esposa do sargento John Gale. O oficial foi rebaixado de tenente por Porter após ser flagrado estacionando sua viatura de forma inapropriada em uma área isolada do Seaside Park durante o turno da noite.
Além disso, a Comissão de Direitos Humanos e Oportunidades de Connecticut confirmou que nove oficiais possuem queixas formais pendentes contra a gestão atual.
A permanência de Porter no cargo é vista como uma exceção por críticos e líderes sindicais. O presidente do sindicato da polícia, Michael Salemme III, afirma que a gravidade das queixas resultaria no afastamento imediato em quase qualquer outro departamento dos EUA.
Para sustentar sua crítica, opositores citam exemplos recentes:
James Baraja: O vice-chefe de Bridgeport está em licença administrativa desde maio passado por uma investigação de pessoal não especificada.
Kevin Samperi: O vice-chefe de Hamden foi afastado na semana passada após uma única denúncia de assédio.
Karl Jacobson: O chefe de New Haven aposentou-se abruptamente em janeiro após alegações de furto, antes mesmo de ser formalmente afastado pela prefeitura local.
Até mesmo vozes dentro de grupos de minorias na polícia, como Carlos Pabon Jr., chefe do grupo Guardians, defendem o afastamento. “Isso cria um medo real e razoável de retaliação”, afirmou Pabon, destacando que Porter continua a “comandar o departamento como se nada estivesse acontecendo”.
A administração Ganim justifica a decisão com base na estabilidade institucional. Thomas Gaudett, diretor administrativo da cidade, explicou que afastar o chefe de um dos maiores departamentos da cidade é uma medida “altamente disruptiva” e que exige um limite de prova mais alto.
“Questões relacionadas à gestão do local de trabalho, embora extraordinariamente sérias, são vistas de forma ligeiramente diferente do ponto de vista de licença do que casos que envolvem perigo físico aos colegas ou ao público”, afirmou Gaudett.
Um fator implícito na decisão pode ser a falta de sucessores imediatos. Com o vice-chefe Baraja em licença e a recente aposentadoria do assistente Paul Grech, resta apenas o assistente Frank Capozzi na linha de frente da liderança.
O histórico de Bridgeport também mostra que manter chefes sob investigação não é novidade:
Rebeca Garcia: Antecessora de Porter, permaneceu no cargo em 2021 enquanto era investigada por discriminação.
Armando Perez: Continuou como chefe mesmo durante uma investigação do FBI em 2018, sendo removido apenas em 2020, após sua prisão por fraudar o processo seletivo para o cargo.
Enquanto os escritórios Jackson Lewis e Husch Blackwell finalizam seus relatórios, a cidade aguarda para definir se tomará medidas disciplinares. Por enquanto, a ordem no gabinete do prefeito é de espera.





