O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos emitiu um alerta sobre o risco de uma crise alimentar nacional, relacionando o problema ao impacto das recentes operações de deportação em massa conduzidas pelo governo do presidente Donald Trump. As ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) vêm provocando escassez de mão de obra no setor agrícola — especialmente em pequenas e médias propriedades familiares.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o da Owyhee Produce, uma empresa agrícola de terceira geração localizada em Idaho, que agora enfrenta sérias dificuldades para manter sua produção. A fazenda, especializada em cebolas e outros produtos, relatou perdas significativas de trabalhadores após as operações migratórias se intensificarem na região.
“Essas ações estão devastando a força de trabalho rural”, afirmou James O’Neill, diretor de Assuntos Legislativos da American Business Immigration Coalition (ABIC). Segundo ele, a repressão migratória está afetando diretamente a cadeia de abastecimento e pode levar a aumentos nos preços dos alimentos em todo o país.
O’Neill destacou ainda que a agricultura norte-americana depende fortemente da mão de obra imigrante, documentada ou não, e que a ausência de uma política migratória equilibrada coloca em risco não apenas a produção, mas também a segurança alimentar nacional.
Economistas do setor agrícola reforçam o alerta: a redução do número de trabalhadores sazonais pode comprometer colheitas inteiras, impactando produtores e consumidores. Enquanto isso, associações rurais e líderes comunitários pedem medidas urgentes de proteção aos trabalhadores agrícolas e uma revisão das estratégias de fiscalização imigratória.
A crise no campo expõe um dilema crescente no país — entre o rigor das políticas de imigração e a necessidade de garantir o funcionamento de um dos pilares da economia americana: o agronegócio.





