Home / IMIGRAÇÃO / Estudantes de Yale e UConn pressionam universidades por medidas mais firmes contra ações do ICE

Estudantes de Yale e UConn pressionam universidades por medidas mais firmes contra ações do ICE

Estudantes da Yale University e da University of Connecticut (UConn) estão mobilizados para cobrar de suas administrações uma postura mais contundente diante das operações do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês). As iniciativas ocorrem em meio ao endurecimento das políticas migratórias promovidas pelo presidente Donald Trump, que tem defendido a ampliação das deportações de imigrantes em situação irregular.

Em Storrs, onde fica o campus principal da UConn, uma petição online intitulada “ICE OUT of UConn” já ultrapassou 2 mil assinaturas. O documento, iniciado por uma coalizão de organizações estudantis em 12 de fevereiro, solicita que a universidade adote medidas concretas para proteger alunos, professores e funcionários contra ações federais de imigração.

Entre as reivindicações estão o compromisso institucional de manter o ICE e o Departamento de Segurança Interna fora do campus, a definição clara de áreas públicas e privadas da universidade, treinamentos obrigatórios para funcionários sobre como agir diante de abordagens de agentes federais e a criação de um fundo jurídico para membros da comunidade acadêmica.

Pelas regras atuais, agentes do ICE podem acessar áreas consideradas públicas dentro do campus. Já espaços privados, como salas de aula ou residências estudantis, só podem ser alvo de ação mediante mandado judicial assinado por um juiz ou com consentimento de autoridade competente.

Em resposta, a porta-voz da UConn, Stephanie Reitz, destacou que a instituição atualizou recentemente suas diretrizes para orientar estudantes e funcionários sobre como proceder em caso de presença de agentes federais. Ela também ressaltou que a universidade cumpre rigorosamente a Family Educational Rights and Privacy Act (FERPA), garantindo a privacidade dos estudantes independentemente do status imigratório e negando pedidos de informações que não estejam respaldados por ordem judicial.

Durante reunião do Conselho de Curadores em 25 de fevereiro, estudantes criticaram o que classificaram como postura passiva da administração. “Este conselho escolheu a complacência”, afirmou o aluno Luca Kabir Khanna, ao defender maior comprometimento institucional com a segurança da comunidade acadêmica.

Em New Haven, a mobilização segue outro caminho. O coletivo estudantil Yale Endowment Justice Collective lançou uma campanha de cartas exigindo que a universidade desinvista de empresas com contratos ligados ao ICE e à patrulha de fronteiras. Entre as companhias citadas estão Palantir Technologies, Target Hospitality, Anduril Industries e Flock Safety.

Segundo o grupo, mais de 1.600 cartas foram enviadas aos curadores da universidade. Em nota, Yale informou que o tema foi analisado pelo comitê responsável por avaliar a responsabilidade dos investimentos, mas não houve recomendação para alterar as políticas atuais. A instituição também destacou que nem toda pauta analisada implica, necessariamente, que o fundo patrimonial mantenha participação nas empresas mencionadas.

As mobilizações refletem um cenário de tensão crescente entre universidades e o governo federal, que também tem pressionado instituições de ensino superior por meio de ameaças de cortes de recursos, investigações sobre protestos estudantis e medidas direcionadas a alunos internacionais. Em Connecticut e em outros estados, a atuação do ICE tem sido alvo de protestos e debates sobre os limites da aplicação da lei em ambientes acadêmicos.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *