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Família acusa negligência médica após morte de imigrante sob custódia do ICE na Califórnia

A morte do imigrante mexicano Alberto Gutiérrez Reyes, ocorrida após ele perder a consciência enquanto estava detido em um centro de imigração na Califórnia, reacendeu o debate sobre as condições de saúde e atendimento médico em centros de detenção de imigrantes nos Estados Unidos. A família afirma que ele morreu após dias pedindo ajuda médica sem receber atendimento adequado.

A notícia foi comunicada à esposa de Gutiérrez, Patricia Martinez, por um funcionário do Consulado do México em San Bernardino. Inicialmente, ela acreditou que seria informada sobre a deportação do marido, mas acabou recebendo a notícia de que ele havia falecido poucas horas antes, em um hospital para onde foi transferido depois de desmaiar no Adelanto Detention Center, centro de detenção localizado a cerca de três horas de Los Angeles.

“Meu marido morreu por negligência médica. Durante dias ele pediu ajuda e ninguém lhe deu atenção”, afirmou Martinez, emocionada.

Natural do estado de Veracruz, no México, Gutiérrez imigrou para os Estados Unidos em 2001 e trabalhava na construção civil. Ele foi preso por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) no dia 9 de janeiro, no bairro de Echo Park, em Los Angeles.

Segundo a esposa, ele saiu de casa pela manhã para tomar café quando foi abordado pelos agentes. Martinez relatou que o marido tentou fugir, mas acabou sendo alcançado, derrubado no chão e sofreu ferimentos no braço, no joelho e na cabeça durante a abordagem.

Após a prisão, ele foi transferido para o Adelanto Detention Center, uma unidade administrada por empresa privada e que já foi alvo de diversas denúncias envolvendo problemas de segurança, saúde e direitos humanos.

 

Pedido de ajuda ignorado

De acordo com Martinez, o marido começou a se sentir mal em 18 de fevereiro, depois que os detentos foram levados ao pátio por cerca de uma hora em meio a chuva e frio intenso.

Após retornar à cela, ele apresentou febre e passou a solicitar atendimento médico. Segundo a esposa, Gutiérrez enviou vários pedidos formais para ser examinado por um médico, mas não recebeu resposta.

“Ele começou a tossir e continuou pedindo ajuda nos dias seguintes, mas ninguém o atendia”, disse Martinez.

Mesmo debilitado, Gutiérrez compareceu a uma audiência sobre pagamento de fiança no dia 24 de fevereiro. Naquele dia, ele conversou diversas vezes com a esposa por telefone e disse esperar finalmente receber atendimento médico.

No dia seguinte, porém, Martinez não recebeu mais notícias. Um colega de cela foi quem ligou para avisar a família de que Gutiérrez havia sido levado às pressas para um hospital após desmaiar.

A família afirma que não foi informada oficialmente sobre a hospitalização. A confirmação da morte veio apenas por meio do Consulado mexicano, que recebeu um e-mail das autoridades migratórias durante a madrugada.

 

Morte em hospital

Segundo as informações oficiais repassadas à família, Gutiérrez morreu às 00h58 do dia 27 de fevereiro, no Victor Valley Global Medical Center, na cidade de Victorville.

Martinez afirma que o marido não tinha doenças crônicas. O único problema de saúde registrado anteriormente havia sido uma infecção por Covid-19 em setembro de 2023, da qual ele teria se recuperado.

Ela também relata que, antes de ser levado para Adelanto, o marido passou por uma cela de detenção temporária conhecida como B17, em um prédio federal do ICE no centro de Los Angeles. Segundo Martinez, ele dormiu no chão de um ambiente frio, com apenas folhas laminadas como cobertor, situação que teria agravado seu estado de saúde.

 

Busca por justiça

A família agora pretende buscar responsabilização judicial. “Vamos fazer tudo o que for possível para conseguir justiça. Se ele tivesse recebido atendimento médico a tempo, estaria vivo”, afirmou a esposa.

O advogado de imigração Sergio Siderman, que assumiu a defesa de Gutiérrez após sua prisão, disse que o caso levanta preocupações sobre o acesso a cuidados médicos em centros de detenção. Segundo ele, detentos frequentemente precisam fazer múltiplos pedidos antes de receber atendimento.

Siderman também afirmou que Gutiérrez tinha um pedido de asilo em andamento e poderia tentar cancelar sua deportação por meio de um recurso legal conhecido como 42B, que permite a alguns imigrantes solicitar residência permanente.

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