O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (5) uma nova lista com estados, cidades e condados classificados como “jurisdições santuário” — e o estado de Connecticut está entre os citados.
A iniciativa atende a uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 28 de abril, que determinou a publicação de um relatório identificando localidades com políticas que, segundo a Casa Branca, “obstruem a aplicação das leis federais de imigração”.
Segundo o comunicado oficial, a lista foi elaborada com base em uma análise de leis, portarias e diretivas executivas locais. Ao todo, foram incluídos 13 estados, 18 cidades e 4 condados.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, afirmou que o Departamento de Justiça continuará movendo ações judiciais contra essas jurisdições e atuará em conjunto com o Departamento de Segurança Interna (DHS) para “erradicar essas políticas prejudiciais em todo o país”.
“As políticas de santuário atrapalham a aplicação da lei e colocam cidadãos norte-americanos em risco por definição”, declarou Bondi.
Connecticut reage: “Ficção criada pelo governo Trump”
A inclusão de Connecticut na lista provocou uma reação imediata do procurador-geral do estado, William Tong, que classificou a decisão como “enganosa e politicamente motivada”.
“Não há nada nas nossas leis ou estatutos que diga que Connecticut é um estado santuário. Não somos. Esse é um termo sem significado legal, e as ‘características’ listadas aqui são uma ficção criada pela administração Trump”, afirmou Tong em nota oficial.
Ele lembrou ainda que a própria administração Trump certificou a conformidade de Connecticut com a seção 1373 do Código dos EUA em 2017 — artigo que trata da cooperação entre autoridades locais e federais em questões imigratórias.
“Nada mudou desde então que altere essa certificação, além da obsessão desequilibrada de Trump com o desfinanciamento e controle das nossas forças policiais”, criticou.
“Entramos com uma ação judicial da última vez em que Trump tentou cortar os recursos da nossa segurança pública — e estamos prontos para defender novamente o financiamento e a segurança do povo de Connecticut.”
A publicação da lista reacende o debate sobre a autonomia dos estados em relação à política imigratória federal, especialmente em um contexto eleitoral marcado por promessas de deportações em massa e reforço no aparato do ICE em estados considerados “não cooperativos”.





