Dois irmãos do estado da Pensilvânia foram condenados pela Justiça dos Estados Unidos por liderarem um amplo esquema de fraude que desviou milhões de dólares do sistema público de saúde e envolveu também a emissão de vistos de trabalho falsos para imigrantes. O caso foi conduzido pelo U.S. Department of Justice.
De acordo com as autoridades, Bhaskar Savani e Arun Savani comandavam uma organização criminosa conhecida como “The Savani Group”, que operou por cerca de uma década. O esquema incluía fraude no sistema de saúde, manipulação de programas de vistos e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, os irmãos utilizavam empresas médicas e estruturas corporativas fictícias para realizar cobranças fraudulentas ao programa Medicaid, gerando prejuízos superiores a 32 milhões de dólares ao sistema de saúde da Pensilvânia.
Além da fraude na área da saúde, os acusados também foram considerados culpados por criar e utilizar vistos H-1B falsos, documento que permite a contratação de trabalhadores estrangeiros qualificados nos Estados Unidos. De acordo com o processo, os irmãos usavam os vistos para empregar imigrantes de forma irregular e, em seguida, exigiam devolução de parte dos salários pagos, em um esquema conhecido como “kickback”.
A investigação revelou ainda a participação da funcionária Aleksandra Radomiak, conhecida como Ola Radomiak, que trabalhava há anos com os irmãos e teria ajudado a operar parte do esquema fraudulento.
Para o procurador federal David Metcalf, responsável pelo caso no Distrito Leste da Pensilvânia, a investigação exigiu a análise de uma complexa rede de empresas e práticas fraudulentas.
“Essa investigação extensa exigiu desvendar uma complexa rede de cobranças fraudulentas e entidades médicas fictícias. Trabalhamos com diversas agências federais e estaduais para provar os esquemas de fraude no sistema de saúde que estavam no centro dessa operação”, afirmou Metcalf em comunicado oficial.
O júri considerou os irmãos culpados por diversos crimes federais, incluindo conspiração para conduzir organização criminosa, fraude de vistos, fraude no sistema de saúde, lavagem de dinheiro, obstrução da Justiça, fraude contra o Tesouro dos Estados Unidos e fraude eletrônica.
Se somadas as penas máximas previstas para cada acusação, Bhaskar Savani pode enfrentar até 420 anos de prisão, enquanto Arun Savani pode ser condenado a até 415 anos. As audiências de sentença estão marcadas para 8 de julho, no caso de Bhaskar, e 9 de julho, para Arun.
Já Aleksandra Radomiak também foi considerada culpada por participação na organização criminosa e por fraude no sistema de saúde. A sentença dela está marcada para 14 de julho, perante o juiz federal Jeffrey L. Schmehl.
Autoridades americanas destacaram que casos de fraude contra programas públicos representam um prejuízo bilionário anual para os contribuintes e comprometem recursos essenciais do sistema de saúde. Segundo o Departamento de Justiça, o desmantelamento do grupo marca um passo importante no combate a crimes financeiros e abusos em programas governamentais.





