Com a intensificação da repressão à imigração sob a administração do presidente Donald Trump, mais de 35 instituições de ensino superior nos Estados Unidos estão implementando políticas de “Campus Santuário” — ou medidas similares — com o objetivo de proteger estudantes imigrantes indocumentados, informou uma investigação conduzida pelo site Campus Reform.
Essas universidades e faculdades se recusam a colaborar com o Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), bloqueando o acesso de agentes federais a áreas do campus e evitando compartilhar informações de estudantes sem ordem judicial.
Embora nem todas as instituições utilizem oficialmente o termo “santuário”, muitas adotaram práticas que garantem proteção legal e institucional aos estudantes ameaçados por políticas de deportação em massa.
Exemplos de instituições com políticas de proteção
Portland State University (PSU), no Oregon, se identifica publicamente como “Campus Santuário” e afirma que não permite a atuação de agentes de imigração em suas instalações, incluindo salas de aula, laboratórios, alojamentos e escritórios administrativos. A medida é respaldada pela política de “estado santuário” do Oregon, que proíbe a cooperação de policiais estaduais e locais com autoridades federais de imigração.
Na Califórnia, Long Beach City College (LBCC) segue uma política semelhante, proibindo seus agentes de segurança de colaborar com o ICE ou a Patrulha de Fronteira. A instituição se declara um “campus seguro” e afirma que sua política está alinhada com a legislação estadual que limita a atuação federal em questões migratórias.
Morehouse College, em Atlanta, também adotou uma postura firme. O presidente da instituição, David Thomas, declarou que a escola “não cooperará” com operações de imigração. Caso agentes apareçam no campus, eles serão impedidos de entrar até a verificação de mandados por autoridades superiores da universidade.
Em Connecticut, Wesleyan University foi uma das primeiras a se posicionar, ainda em 2016, logo após a eleição de Trump. O reitor Michael Roth criticou as promessas de deportações em massa e declarou a universidade um “Campus Santuário”, comprometendo-se a proteger estudantes e funcionários indocumentados.
Redes estaduais inteiras aderem à política
O Sistema da Universidade Estadual da Califórnia, composto por 23 campi, e o Sistema da Universidade da Califórnia, com 10 instituições, emitiram diretrizes proibindo a colaboração de suas polícias universitárias com autoridades federais de imigração. Ambos os sistemas se comprometeram a proteger informações confidenciais dos alunos e a não permitir ações de detenção ou deportação sem ordem judicial.
Segundo as diretrizes da Universidade da Califórnia, nenhuma informação relacionada ao status imigratório dos alunos será compartilhada com autoridades federais sem uma intimação legal válida. A postura reforça a resistência de centros acadêmicos frente ao aumento da pressão federal.
Contraponto: instituições da Flórida colaboram com o ICE
Em contraste com os estados mencionados, faculdades e universidades da Flórida seguem diretrizes estaduais que favorecem a cooperação com o ICE. Através de acordos como o 287(g), agentes locais, inclusive policiais universitários, estão autorizados a agir como agentes de imigração, investigando e prendendo pessoas por violações das leis federais de imigração.
Debate acirrado
O avanço das políticas de campus santuário revela um embate direto entre os princípios de autonomia universitária, proteção de direitos civis e as políticas de imigração mais severas da atual administração federal. Críticos afirmam que as universidades estão politizando a educação, enquanto defensores argumentam que essas instituições estão cumprindo seu dever moral e legal de proteger seus estudantes.
Campus Reform afirmou ter contatado todas as instituições mencionadas para comentários adicionais e promete atualizar o conteúdo conforme houver retorno.





