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Nova regra sobre licenças para imigrantes pode agravar falta de motoristas de ônibus escolares em Long Island

Uma decisão recente que suspende a emissão e renovação de licenças comerciais para imigrantes com residência temporária nos Estados Unidos pode aprofundar ainda mais a escassez de motoristas de ônibus escolares em Long Island, no estado de Nova York. Representantes do setor afirmam que centenas de profissionais poderão perder o direito de dirigir, colocando em risco a operação do transporte escolar na região.

A medida foi adotada pelo Departamento de Veículos Motorizados de Nova York (DMV), que anunciou a suspensão “por tempo indeterminado” do programa que permitia a imigrantes com status temporário obter ou renovar a Commercial Driver’s License (CDL), licença necessária para conduzir ônibus escolares e veículos de grande porte. A decisão ocorreu após mudanças nas diretrizes federais promovidas pela administração do presidente Donald Trump, que passaram a restringir o acesso de imigrantes com vistos temporários a esse tipo de habilitação.

A nova política poderá ter impacto direto em empresas de transporte escolar que já enfrentam dificuldades para contratar motoristas. Segundo Thomas Smith, diretor de operações da Suffolk Transportation Services — maior fornecedora de ônibus escolares do condado de Suffolk — a empresa pode perder cerca de 150 de seus 1.600 motoristas por causa da mudança.

“Já é difícil encontrar profissionais hoje. Com essa medida, a situação vai ficar ainda mais complicada”, afirmou Smith. “É triste, porque são pessoas que trabalham bem e contribuem para a comunidade.”

A escassez de motoristas pode gerar efeitos em cadeia em distritos escolares da região. Entre os cenários considerados pelas empresas e pelas autoridades educacionais está a possibilidade de alterar horários de entrada nas escolas para que um número menor de ônibus consiga atender diferentes unidades ao longo da manhã.

O governo federal justificou a mudança alegando preocupações com segurança nas estradas envolvendo motoristas estrangeiros. O Departamento de Transportes dos Estados Unidos advertiu que Nova York poderia perder mais de 73 milhões de dólares em financiamento federal para rodovias caso não cumprisse integralmente as determinações relacionadas ao programa de licenças para motoristas estrangeiros.

A decisão foi reforçada após uma auditoria da Federal Motor Carrier Safety Administration indicar que alguns estados estariam renovando licenças comerciais de imigrantes mesmo após a expiração de seus status temporários. Como consequência, autoridades federais exigiram que Nova York suspendesse o programa e revisasse as licenças já emitidas.

Representantes de empresas de transporte e sindicatos criticaram a medida, afirmando que ela penaliza trabalhadores que residem legalmente no país. Carolyn Rinaldi, vice-presidente do sindicato Amalgamated Transit Union Local 1181, que representa cerca de 3 mil trabalhadores em Long Island, afirmou que muitos motoristas estão assustados e revoltados com a possibilidade de perder o emprego.

“Isso simplesmente não faz sentido. Estamos falando do sustento dessas pessoas”, disse.

Segundo Paul Mori, presidente da New York School Bus Contractors Association, cerca de 5% dos motoristas de ônibus escolares do estado podem perder suas licenças. Em Long Island, onde aproximadamente 20 mil profissionais atuam na área, isso poderia representar cerca de mil trabalhadores fora do setor.

Além da perda imediata de motoristas, empresas também temem o impacto na formação de novos profissionais. Programas de treinamento para obtenção da CDL, que dependem em parte de imigrantes interessados na profissão, já registram queda no número de candidatos.

Educadores da região alertam que a decisão pode agravar um problema que já vinha se intensificando desde a pandemia de COVID-19, quando muitos motoristas deixaram a profissão em busca de outras oportunidades, como entregas para empresas de logística ou trabalho em aplicativos de transporte.

Para Bob Vecchio, diretor executivo da Nassau-Suffolk School Boards Association, os distritos escolares podem ser obrigados a buscar alternativas caso a escassez de motoristas aumente. Entre as opções discutidas estão a consolidação de rotas, horários de início escalonados para as aulas e até incentivos salariais para atrair novos profissionais.

Enquanto isso, líderes educacionais afirmam que continuam monitorando a situação. Marie Testa, presidente do Conselho de Superintendentes do Condado de Nassau, destacou que garantir o transporte seguro dos alunos continuará sendo prioridade.

“A segurança dos estudantes e a garantia de que eles cheguem à escola continuam sendo nossas principais preocupações”, afirmou. “Sempre que enfrentamos desafios como esse, trabalhamos juntos para encontrar soluções que permitam manter o sistema funcionando.”

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