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Prisões do ICE em New Haven ocorrem em meio a vigília por mulher morta em ação federal em Minneapolis

Agentes do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) realizaram ao menos três prisões em New Haven, Connecticut, na quinta-feira, dia 08, em um contexto de crescente tensão e mobilização de grupos pró-imigrantes. As detenções aconteceram no mesmo dia em que ativistas e moradores se reuniram no centro da cidade para homenagear Renee Nicole Good, morta a tiros por um agente do ICE durante uma operação em Minneapolis, na quarta-feira.

Segundo a polícia de New Haven, os agentes federais efetuaram as prisões na região central da cidade. Um porta-voz confirmou que o ICE comunicou previamente a ação às autoridades locais, mas ressaltou que policiais municipais não participaram das detenções. Até a noite de quinta-feira, poucos detalhes haviam sido divulgados, e o ICE não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

As prisões reforçaram o clima de indignação entre defensores dos direitos dos imigrantes, que já se encontravam mobilizados para um ato público realizado horas depois. Durante a manifestação, dezenas de pessoas depositaram flores nos degraus do Tribunal Superior de New Haven em memória de Renee Nicole Good e de outras pessoas que morreram ou desapareceram sob custódia do ICE.

“Eles estiveram aqui hoje, neste quarteirão, arrancando pessoas em plena luz do dia, e isso está acontecendo em todos os lugares”, afirmou Kica Matos, representante do National Immigration Law Center e uma das oradoras do ato. Segundo ela, os episódios mostram que o trabalho de mobilização e defesa dos imigrantes está longe de terminar.

A vigília foi conduzida por Fumika Mizuno, voluntária da New Haven Immigrants Coalition, que pediu um minuto de silêncio em homenagem a Renee Nicole Good, mãe de três filhos. Após o momento de recolhimento, os participantes foram convidados a colocar flores em frente ao tribunal, onde um cartaz manuscrito trazia a mensagem: “We will not be complicit” (“Não seremos cúmplices”).

“Carregamos raiva e luto, mas escolhemos estar juntos porque transformamos isso em ação — e é por meio da ação que construímos esperança”, disse Mizuno, sob aplausos do público.

Líderes religiosos também participaram do ato. O reverendo Scott Marks, diretor do New Haven Rising, fez um apelo à união diante do atual cenário. “Se houve um momento para nos unirmos, esse momento é agora. Tudo aquilo que nos divide precisa dar lugar à solidariedade”, declarou.

Manifestações semelhantes ocorreram em outras cidades de Connecticut, incluindo uma vigília em frente a um escritório regional do ICE em Hartford. Os protestos aconteceram pouco depois de a Avelo Airlines anunciar o fim de sua participação em voos federais de deportação a partir do Arizona. A decisão veio após meses de protestos no Aeroporto Tweed New Haven, onde a companhia tem forte atuação, além de um boicote organizado por grupos comunitários.

Embora a Avelo tenha afirmado que a decisão foi motivada exclusivamente por razões financeiras, ativistas ressaltaram que a medida não encerra a luta. “Não vamos parar de resistir até que cada ente querido, cada vizinho e cada família esteja em casa”, disse Mizuno. “E não vamos parar até que essa máquina de morte seja abolida. Vamos continuar presentes”, afirmou, sob aplausos e gritos de apoio da multidão.

O episódio evidencia o aumento das tensões entre autoridades federais e comunidades locais, em um momento de intensificação das ações de fiscalização migratória nos Estados Unidos e de crescente reação por parte de organizações civis e defensores dos direitos humanos.

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