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Protestos em Danbury após operação do ICE prender 65 imigrantes em Connecticut

Sob chuva intensa e protegidos por guarda-chuvas, cerca de 100 pessoas se reuniram em frente ao Tribunal Superior de Danbury, em Connecticut, na última quarta-feira (20) para protestar contra a recente onda de prisões conduzidas por agentes federais de imigração (ICE) em Connecticut. O ato foi organizado pelo grupo Greater Danbury Unites for Immigrants, que exige dos legisladores estaduais medidas mais duras para proteger famílias imigrantes.

O protesto ocorre após o Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) confirmar, em comunicado, que 65 pessoas foram detidas no estado durante uma operação de quatro dias chamada “Operation Broken Trust”. Segundo a agência, 29 dos presos têm condenações ou acusações por crimes graves, incluindo sequestro, agressão, tráfico de drogas, posse de armas e crimes sexuais.

Entre os casos mais citados no protesto estava o de Edwin Andres Calva-Guaman, detido na semana passada nos degraus do Tribunal de Danbury. Familiares afirmam que ele foi convocado ao local por orientação do advogado, mas não tinha audiência marcada. Sua irmã, Monica Apolinario, discursou em espanhol com o filho de três anos ao lado: “Não sabemos por que o chamaram ao tribunal, nem para onde o levaram. Quero alertar outras famílias para terem cautela quando forem chamadas à corte”, disse.

A namorada de Calva-Guaman, Jossie Gutierrez, também emocionou a multidão ao relatar que ele era o principal provedor da família, que depende de seu apoio financeiro tanto nos EUA quanto no Equador.

O ICE afirma que Calva-Guaman possui histórico criminal, incluindo condenação por furto e acusações pendentes de violência doméstica, agressão e violação de ordem de proteção. Ele se declarou inocente em todos os processos e tem nova audiência marcada para dezembro.

O ato em Danbury teve a presença do senador Richard Blumenthal (D-CT), que foi confrontado por manifestantes sobre a falta de ações concretas. “Estamos cansados de palavras de esperança e orações. Queremos ações”, disse a ativista guatemalteca Ixmucane.

Blumenthal respondeu que, apesar de estar na minoria no Senado, pretende abrir uma investigação para apurar a atuação do ICE no estado.

O movimento também pressiona o governador Ned Lamont e a Assembleia Legislativa de Connecticut a reforçar a Lei TRUST, que limita a cooperação das autoridades locais com agentes federais de imigração. Uma das principais demandas é proibir prisões dentro e nos arredores de tribunais estaduais, prática que, segundo os manifestantes, gera medo e desestimula a comunidade imigrante a procurar a Justiça.

Em comunicado, Patricia H. Hyde, diretora interina do escritório do ICE em Boston, defendeu as ações da operação e criticou as chamadas “cidades santuário”.

“Leis como a Trust Act colocam em risco as comunidades que afirmam proteger, pois forçam a libertação de pessoas perigosas de volta às ruas”, afirmou.

Autoridades locais, no entanto, têm se posicionado de forma contrária. O prefeito de Stamford, Caroline Simmons, declarou que a cidade é “inclusiva” e que a atuação recente do ICE “não condiz com o compromisso de tratar todos os residentes com dignidade e respeito”. Em Norwalk, o prefeito Harry Rilling criticou a presença de agentes federais no estacionamento da polícia local sem autorização.

Segundo ativistas, a presença de agentes de imigração em Danbury e outras cidades de Fairfield County se tornou semanal nos últimos dois meses. Há denúncias de que alguns agentes têm atuado disfarçados, inclusive vestidos como operários da construção civil, para realizar prisões.

Além de Danbury, operações também foram registradas em Stamford e Norwalk, onde manifestações semelhantes ocorreram. O deputado estadual Matt Blumenthal (D-Stamford) classificou a conduta dos agentes como “táticas de intimidação violentas, ilegais e antiéticas”.

A crescente tensão em Connecticut reflete o embate nacional sobre imigração. Enquanto o ICE defende que suas operações aumentam a segurança pública, defensores dos imigrantes afirmam que as prisões arbitrárias e realizadas em tribunais enfraquecem o sistema de Justiça e espalham medo entre famílias inteiras.

Para Carolina Bortolleto, do Greater Danbury Unites for Immigrants, o momento exige ação política: “Está nas mãos de nossos líderes ter coragem e proteger nossas comunidades. Não podemos esperar mais.”

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