Dean Cain, conhecido por interpretar o Superman na série Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman entre 1993 e 1997, anunciou publicamente que se juntou ao Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). O ator, de 59 anos, afirmou que deseja colaborar com os esforços de recrutamento e segurança do país, em meio ao reforço promovido pelo governo do presidente Donald Trump.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Cain declarou: “Sou um oficial de segurança juramentado, além de cineasta, e senti que era importante me unir aos nossos primeiros socorristas para ajudar a garantir a segurança de todos os nrte-americanos – não apenas falar sobre isso. Então, eu me alistei.”
O ator encorajou outros cidadãos a se candidatarem a vagas na ICE, destacando os benefícios oferecidos, como bônus de assinatura de US$ 50 mil, perdão de dívidas estudantis e aposentadoria com vantagens reforçadas. “Se você quer ajudar a salvar a América, o ICE está prendendo os piores dos piores e os removendo das ruas americanas”, afirmou. “Eles precisam da sua ajuda, nós precisamos da sua ajuda, para proteger nosso território e nossas famílias.”
Cain elogiou os resultados da agência durante a atual administração Trump, mencionando prisões de “terroristas, estupradores, assassinos, pedófilos, membros da gangue MS-13 e traficantes de drogas”. No entanto, embora o ICE registre prisões dessas categorias, relatórios oficiais apontam que muitas das detenções envolvem pessoas sem antecedentes criminais ou com infrações menores.
A entrada de Cain no ICE ocorre em meio a um esforço do Departamento de Segurança Interna (DHS) para aumentar o número de agentes. Recentemente, a secretária Kristi Noem declarou: “Seu país está chamando você para servir na ICE… Juntos, devemos defender o nosso território.”
Apesar do apoio a políticas de segurança mais duras, Cain já demonstrou afinidade com representações inclusivas de seu personagem icônico. Ele apoiou publicamente a possibilidade de um Superman negro, interpretado por Michael B. Jordan, e elogiou a versão de James Gunn, que trata de pertencimento e inclusão.
Superman, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster – filhos de imigrantes judeus –, sempre foi associado a temas que espelham a experiência do imigrante nos Estados Unidos. Em um episódio do podcast Today, Explained, da Vox, especialistas destacaram que o herói é um estrangeiro de Krypton criado em Kansas, símbolo dos valores americanos e, ao mesmo tempo, reflexo do “outro” tentando se integrar.
Na série em que Cain atuou, há uma cena emblemática em que Superman é questionado por oficiais de imigração sobre seu green card: “Você é um alienígena, não é?”. A crítica à burocracia e ao tratamento dado a imigrantes está presente até mesmo no roteiro que o consagrou.
A decisão de Cain ocorre em um mo-mento de forte debate sobre a política imi-gratória dos Estados Unidos. Reportagem da PBS revelou que, sob a atual administra-ção, ao menos sete crianças cidadãs norte-americanas foram deportadas juntamente com seus pais indocumentados – uma medi-da criticada por organizações de direitos civis. Mesmo com a idade de 59 anos – acima do antigo limite de 37 para novos agentes –, Cain afirma estar comprometido com sua nova missão: “Junte-se a nós, se isso te entusiasma. Estamos precisando de você.”
A imagem do herói americano agora ganha uma nova camada de complexidade. E o eterno Superman assume, na vida real, um papel polêmico no cenário político e social dos Estados Unidos.
Superman surpreende ao se juntar ao ICE para “perseguir imigrantes”





