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Administração Trump promete suspensão total da imigração e amplia pressão sobre estrangeiros de alguns países

O presidente Donald Trump afirmou, em uma postagem agressiva publicada na noite de Ação de Graças, que pretende “pausar permanentemente a imigração” de países mais pobres. A declaração veio após o ataque de quarta-feira em Washington, D.C., no qual dois membros da Guarda Nacional foram baleados — um deles morreu horas antes de Trump falar por vídeo com tropas americanas.

O suspeito do ataque é um afegão de 29 anos que trabalhou com a CIA durante a guerra no Afeganistão e que chegou aos Estados Unidos por um programa destinado a reassentar aliados das forças americanas após a retirada do país. Ele responde a acusações pelo atentado.

Na plataforma Truth Social, Trump afirmou que “somente a MIGRAÇÃO REVERSA pode curar totalmente essa situação” e desejou um “Feliz Dia de Ação de Graças a todos, exceto aos que odeiam, roubam, matam e destroem tudo o que a América representa — vocês não estarão aqui por muito tempo!”.

A promessa de interromper a imigração representa um rompimento com a tradição histórica dos Estados Unidos como nação receptiva a imigrantes. Durante seu mandato, Trump intensificou ações contra imigrantes indocumentados, com batidas e deportações que afetaram comunidades em todo o país, incluindo escolas e canteiros de obras. A perspectiva de novas deportações preocupa economistas, já que trabalhadores estrangeiros representam cerca de 31 milhões de empregos, segundo o Bureau of Labor Statistics.

Em sua postagem, o presidente afirmou que “a maioria” dos imigrantes nos EUA estaria “vivendo de benefícios sociais, vinda de nações fracassadas ou de prisões, instituições psiquiátricas, gangues ou cartéis”. Pesquisas acadêmicas, porém, mostram o contrário: estudos revisados pela Annual Review of Criminology indicam que comunidades com alta concentração de imigrantes não têm índices maiores de criminalidade.

Outra pesquisa, divulgada inicialmente em 2023, apontou que imigrantes têm 60% menos probabilidade de serem encarcerados do que nativos dos EUA — um padrão observado há 150 anos.

Trump, entretanto, aparentou pouco interesse em debater políticas públicas em seu extenso desabafo online, que o próprio governo chamou de “uma das mensagens mais importantes já divulgadas pelo presidente”. No texto, ele prometeu “anular” milhões de autorizações concedidas durante o governo Joe Biden, cortar benefícios federais a não cidadãos, retirar a cidadania de pessoas consideradas “contrárias à tranquilidade doméstica” e deportar aqueles julgados “incompatíveis com a civilização ocidental”.

O presidente também alegou que imigrantes da Somália estariam “tomando completamente” o estado de Minnesota e usou um termo considerado ofensivo para se referir ao governador Tim Walz, democrata e ex-candidato a vice-presidente.

Desde o ataque, Trump intensificou a retórica contra afegãos reassentados nos Estados Unidos. Na quarta-feira à noite, ele pediu uma reinvestigação de todos os refugiados do Afeganistão admitidos durante o governo Biden.

Na quinta-feira, o diretor do Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS), Joseph Edlow, afirmou que a agência reforçará a triagem de imigrantes provenientes de 19 países considerados “de alto risco”. Edlow não especificou quais países, mas, em junho, o governo já havia proibido a entrada de cidadãos de 12 nações e restringido o acesso de outras sete por motivos de segurança nacional.

O ataque que desencadeou a onda de críticas de Trump ocorreu quando o suspeito, Rahmanullah Lakanwal, teria viajado pelo país até Washington para atirar contra dois membros da Guarda Nacional da Virgínia Ocidental: a soldado Sarah Beckstrom, 20, que morreu na quinta-feira, e o sargento Andrew Wolfe, 24, que permanece em estado crítico. O suspeito, ferido por tiros, está sob custódia e não corre risco de morte.

Questionado por um repórter se culpava todos os afegãos que entraram no país pelo ataque, Trump respondeu: “Não, mas temos tido muitos problemas com afegãos.”

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