O governo federal dos Estados Unidos segue com o plano de transformar um grande galpão industrial em Surprise, no Arizona, em uma instalação de detenção de imigrantes, mas o projeto foi temporariamente paralisado após um acordo judicial que obriga o Departamento de Segurança Interna e o ICE a realizarem uma análise ambiental antes de qualquer conversão física do prédio.
O imóvel, localizado na região de Sweetwater Avenue e Dysart Road, foi comprado pelo governo federal em janeiro por cerca de US$ 70 milhões. A estrutura tem aproximadamente 418 mil pés quadrados e poderia receber até 1.500 pessoas sob custódia migratória, segundo documentos e relatos citados por autoridades estaduais e pela imprensa local.
A procuradora-geral do Arizona, Kris Mayes, processou o DHS e o ICE em abril, alegando que o governo Trump tentou avançar com o projeto sem cumprir exigências da Lei Nacional de Política Ambiental, conhecida como NEPA. Segundo Mayes, o prédio foi construído para uso industrial e não para abrigar centenas de pessoas detidas. A ação também aponta preocupações com infraestrutura, água, encanamento, trânsito, serviços públicos e riscos ambientais.
Pelo acordo apresentado em 30 de junho e anunciado em 1º de julho, o ICE não poderá deter pessoas no local nem iniciar obras de conversão, demolição ou reforma até concluir a avaliação ambiental exigida. A agência ainda poderá fazer atividades preliminares, como planejamento, testes, manutenção, instalação de cercas, câmeras e iluminação.
O caso ganhou força porque o galpão fica próximo a áreas residenciais, escolas e, segundo a Procuradoria do Arizona, em uma zona de possível risco químico. Mayes afirma que a instalação poderia representar ameaça à segurança da comunidade em caso de incêndio, vazamento ou emergência envolvendo produtos perigosos.
A disputa em Surprise faz parte de uma estratégia nacional do governo Trump para ampliar rapidamente a capacidade de detenção migratória. A Associated Press informou que o ICE passou a mirar grandes armazéns em mais de 20 cidades, dentro de uma expansão bilionária de centros de detenção. Em vários locais, comunidades e autoridades reclamam de falta de transparência, dizendo que só foram informadas depois das compras ou negociações.
Apesar da suspensão temporária, o acordo não significa cancelamento definitivo. O projeto continua vivo, mas só poderá avançar após a conclusão da análise ambiental e eventual nova disputa judicial sobre a adequação do estudo. A Procuradoria do Arizona afirmou que manterá o direito de contestar o resultado caso considere que o governo federal não cumpriu a lei.





