Diversas cidades e estados norte-americanos reforçaram sua defesa às chamadas políticas de “cidades santuário” após a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, ameaçar processar administrações locais que limitam a cooperação de suas forças de segurança com autoridades federais de imigração. A ofensiva da gestão Trump ocorre em meio ao endurecimento das ações de deportação e ao aumento de operações do ICE em várias regiões do país.
Municípios como Albuquerque (Novo México), Boston (Massachusetts), Hoboken (Nova Jersey), Portland (Oregon) e Seattle (Washington), além dos estados da Califórnia, Connecticut, Minnesota, Oregon e Washington, enviaram respostas formais contestando a posição de Bondi. A maioria citou decisões judiciais que já reconheceram o direito local de estabelecer limites na colaboração com deportações.
Em Albuquerque, o prefeito Tim Keller classificou as acusações de que a cidade estaria “prejudicando a aplicação das leis federais de imigração” como “infundadas”. Já o governador de Washington, Bob Ferguson, foi mais enfático: “Pam Bondi quer que Washington dobre os joelhos para uma administração que, dia após dia, nos arrasta em direção ao autoritarismo. Isso não vai acontecer”, declarou em entrevista coletiva em 19 de agosto.
Apesar da resistência, algumas cidades recuaram. Louisville (Kentucky) retomou a cooperação com autoridades federais após pressão e ameaças de retaliação, ainda que com relutância. “As cidades na lista de santuário enfrentam hoje um aumento alarmante de operações do ICE, inclusive com grandes batidas. Ouvi a comunidade imigrante e entendi seus medos. Também ouvi que querem Louisville fora dessa lista federal”, disse o prefeito Craig Greenberg em comunicado de julho.
Enquanto isso, Rochester (Nova York) reforçou sua legislação para punir servidores municipais que descumprirem a política local de não cooperação. A procuradora-geral do estado, Letitia James, reiterou apoio às medidas, defendendo que “mantêm as comunidades seguras e permitem que as forças policiais locais concentrem recursos em prioridades de segurança pública”.
Em Boston, a prefeita Michelle Wu acusou a administração Trump de promover “ataques falsos e contínuos” contra as cidades como parte de uma campanha para “dividir, isolar e intimidar os americanos”.
O embate ganhou novo capítulo no dia 22 de agosto, quando o juiz federal William Orrick ampliou uma medida cautelar que bloqueia ordens executivas e diretrizes federais que buscavam cortar recursos de cidades e estados considerados santuários. A decisão, válida para 50 jurisdições em 14 estados, destacou que as ações do governo provavelmente violam direitos constitucionais de autonomia local.
Entre os estados cobertos estão Califórnia, Connecticut, Colorado, Illinois, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Novo México, Nova York, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Washington e Wisconsin.
Apesar do revés, advogados da administração Trump pediram no dia 26 de agosto a rejeição do processo, argumentando que o governo apenas orientou agências federais a avaliar onde seria possível incluir condições relacionadas à imigração na concessão de verbas.
Uma audiência está marcada para 22 de outubro e deve definir os próximos passos de um embate que promete acirrar ainda mais a relação entre a Casa Branca, governos locais e comunidades imigrantes nos Estados Unidos.





