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Brasileira que ajudou a indiciar Jeffrey Epstein fala publicamente pela primeira vez

A brasileira Marina Lacerda, uma das vítimas de Jeffrey Epstein, falou publicamente pela primeira vez sobre os abusos cometidos pelo financista. Identificada até então apenas como menor de idade no processo que levou à acusação federal contra Epstein em 2019, ela relatou ter sido aliciada aos 14 anos e abusada de forma recorrente durante sua adolescência.

De acordo com Marina, ela foi recrutada em 2002 com a promessa de oportunidades profissionais, mas acabou frequentando a mansão de Epstein em Nova York, onde sofreu abusos e recebia dinheiro após cada encontro. Ela contou também que foi incentivada a recrutar outras meninas. Os abusos cessaram quando tinha 16 ou 17 anos, momento em que ouviu do financista que estava “velha demais”.

Hoje com 37 anos e mãe, Marina disse que foi abordada por investigadores ainda em 2008, mas não teve a chance de prestar depoimento. “Se tivessem me dado voz naquela época, muitas mulheres não teriam passado por isso”, afirmou.

Durante entrevista coletiva no Capitólio, em Washington, ela defendeu a divulgação integral dos chamados Epstein Files, conjunto de documentos ligados ao caso. O tema é alvo de um projeto de lei no Congresso, que obriga o Departamento de Justiça a liberar todos os registros.

A brasileira criticou a falta de transparência do governo norte-americano e afirmou que os documentos poderiam ajudá-la a recuperar lembranças e dar continuidade ao processo de cura. “Há pessoas que sabem mais sobre o meu abuso do que eu mesma”, disse, emocionada.

Embora milhares de documentos já tenham sido entregues ao Congresso, a lista de supostos clientes de Epstein não foi revelada. Até hoje, além do próprio financista — que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento — apenas Ghislaine Maxwell foi condenada. Ela cumpre pena de 20 anos de prisão desde 2021 por participação no esquema de exploração sexual.

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