Um levantamento divulgado por pesquisadores ligados ao Deportation Data Project, iniciativa da Universidade da Califórnia, revela que mais de 650 crianças foram detidas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) na Califórnia durante o primeiro ano do atual governo Donald Trump. Os dados reacenderam o debate sobre o impacto das políticas migratórias na vida de menores de idade e de suas famílias.
Segundo o estudo, 666 crianças passaram pela custódia do ICE no estado, muitas delas durante operações realizadas no interior da Califórnia e não apenas em áreas próximas à fronteira com o México. A pesquisa indica que boa parte dos menores já vivia no estado, frequentava escolas e fazia parte de comunidades locais antes das detenções.
Os pesquisadores também apontam um aumento significativo nas ações envolvendo crianças em comparação com o último ano do governo anterior. O número de menores detidos no interior da Califórnia cresceu cerca de 90%, refletindo a intensificação das operações migratórias realizadas pela agência federal.
Outro dado que chama a atenção é a idade das crianças. De acordo com o levantamento, mais de 100 tinham cinco anos de idade ou menos. Entre os menores detidos, 408 acabaram sendo deportados, o equivalente a aproximadamente 61% dos casos registrados. No período anterior, essa proporção era significativamente menor.
A análise ainda mostra que o tempo de permanência de crianças em centros de detenção também aumentou, elevando o número diário de menores sob custódia das autoridades de imigração.
O estudo cita diferentes situações envolvendo famílias imigrantes, incluindo crianças detidas durante operações do ICE ou enquanto acompanhavam os pais em comparecimentos obrigatórios perante as autoridades migratórias. Entre os casos mencionados estão adolescentes e crianças pequenas que acabaram sendo deportados juntamente com seus familiares.
Em resposta às críticas, o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que o ICE procura manter as famílias unidas durante os procedimentos migratórios. Segundo a agência, os pais podem optar por deixar o país acompanhados dos filhos ou indicar um responsável legal para que as crianças permaneçam nos Estados Unidos.
Já organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e entidades ligadas à educação afirmam que o aumento das operações tem provocado medo entre famílias estrangeiras, reduzido a frequência escolar de alunos e ampliado a insegurança em comunidades com grande presença de imigrantes.
O levantamento reforça o debate sobre os efeitos da política migratória adotada pelo governo Trump, que tem ampliado o número de fiscalizações, prisões e deportações em diversas regiões do país, incluindo operações que envolvem famílias com crianças.





