O juiz de imigração Ted Doolittle, que atuava em Hartford, Connecticut, foi afastado de seu cargo na semana passada, após ser informado de que sua nomeação não seria renovada. A decisão faz parte de uma série de demissões promovidas pelo governo do presidente Donald Trump em tribunais de imigração em diferentes estados do país.
Doolittle afirmou que recebeu a notificação em 11 de setembro e foi colocado imediatamente em licença administrativa. Seu desligamento coincidiu com o fim do período probatório de dois anos como juiz de imigração. A carta oficial, assinada pelo diretor interino do Escritório Executivo de Revisão de Imigração (EOIR, sigla em inglês), órgão do Departamento de Justiça responsável por conduzir casos imigratórios, não apresentou justificativa detalhada. Apenas mencionava que o procurador-geral havia decidido não estender ou tornar permanente sua nomeação.
O magistrado, nomeado em 2023 pelo então procurador-geral Merrick Garland, destacou que não pode afirmar se sua exoneração teve motivação política, mas ressaltou que a onda de demissões parece fazer parte de uma “agenda política”. “Estão cortando juízes de uma agência que deveria ser independente, em um momento em que o volume de processos é esmagador”, disse.
De acordo com a NPR, dezenas de juízes de imigração foram dispensados neste ano, incluindo pelo menos 14 apenas em setembro, em estados como Flórida, Nova York, Maryland, Califórnia e Washington.
No tribunal de Hartford, a situação é considerada crítica. Antes de sua saída, Doolittle era um dos apenas dois juízes atuando em tempo integral, com uma carga de mais de 40 mil processos pendentes. Uma terceira juíza, baseada em Connecticut, dividia seu tempo entre Hartford e outras jurisdições.
A exoneração surpreendeu advogados de imigração locais, que relataram cancelamentos e adiamentos de audiências sem explicação. Doolittle informou que tinha 57 casos agendados apenas para a sexta-feira seguinte à sua saída.
Em julho, o magistrado havia recebido uma avaliação positiva de seu desempenho, que recomendava sua permanência no cargo. Segundo o relatório, ele conduziu mais de 1.900 casos no atual ano fiscal — quase o triplo da meta de 700 processos fixada para sua função. O documento destacou sua “dedicação excepcional e profissionalismo” no tratamento de casos complexos.
Antes de se tornar juiz, Doolittle construiu uma carreira no setor público e privado. Foi defensor da saúde do estado de Connecticut entre 2017 e 2023 e atuou como vice-diretor do Centro de Integridade de Programas dos Centros de Medicare e Medicaid.
Apesar da saída abrupta, ele afirmou ter orgulho de seu trabalho. “Eu amava o cargo e dei tudo de mim. Quero acreditar que fiz o melhor possível pelas famílias que estavam diante de mim”, declarou.
Enquanto isso, o governo Trump planeja enviar até 600 advogados militares para atuar temporariamente como juízes de imigração, medida que já gera preocupação entre parlamentares democratas diante do agravamento do acúmulo de casos nos tribunais.





