Uma coalizão formada por 1.025 organizações nacionais, estaduais e locais enviou ao Congresso dos Estados Unidos uma carta exigindo a interrupção imediata de qualquer repasse de verbas para o ICE (Immigration and Customs Enforcement) e para a Patrulha de Fronteira (CBP Border Patrol). O documento, divulgado na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, afirma que as agências estão “fora de controle” e cobra responsabilização após episódios de violência em Minneapolis e em outras cidades.
No texto, as entidades dizem estar reagindo ao que chamam de “execução” de uma pessoa “em plena luz do dia” nas ruas de Minneapolis e questionam: “Quantas mais pessoas precisam morrer” para que parlamentares “cumpram sua responsabilidade” de frear as operações federais. A carta pede que o Congresso negue recursos no processo de dotações orçamentárias (appropriations) e também pressione para revogar “dezenas de bilhões” já aprovados em um pacote de reconciliação orçamentária no ano passado.
O pedido ocorre em meio à crise política deflagrada por duas mortes atribuídas a agentes federais de imigração em Minneapolis neste mês. A mais recente foi a do enfermeiro Alex Pretti, morto a tiros durante protestos e ações federais na cidade, segundo reportagens e apuração de agências de notícias.
Semanas antes, a morte de Renée Good também provocou indignação pública; na semana passada, a imprensa local noticiou que o óbito foi classificado como homicídio pelo gabinete médico-legal do condado.
A Associated Press informou que a operação federal em Minneapolis chegou a mobilizar milhares de agentes e passou a enfrentar pressão de autoridades locais e de parlamentares, com promessa de redução/retirada parcial de efetivos após a repercussão do caso Pretti.
A carta é liderada por organizações como Detention Watch Network, Amnesty International USA, National Immigration Law Center (NILC), National Immigrant Justice Center e United We Dream, além de uma extensa lista de grupos comunitários e redes estaduais. O texto sustenta que, diante de mortes e denúncias de abusos, a “resposta mínima” do Congresso deveria ser cortar o financiamento que sustenta as operações.
Do lado do governo, a Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna (DHS) têm defendido a atuação federal como parte da política de imigração e segurança — e, diante da crise em Minnesota, o presidente Donald Trump anunciou o envio do assessor Tom Homan para supervisionar operações na região, enquanto o caso segue sob investigações e disputa política em Washington.
Em paralelo, a discussão sobre o orçamento do DHS ganhou peso porque, mesmo em cenário de impasse fiscal em Washington, ICE e CBP tendem a seguir operando em caso de “shutdown”, o que amplia a pressão sobre o Congresso na negociação de verbas e fiscalização.
A carta não tem força legal por si só, mas adiciona combustível a uma batalha que já acontece no Capitólio: como financiar (ou não) imigração e fronteiras em 2026 e quais contrapartidas de transparência, controle e responsabilização serão exigidas do DHS após a escalada de violência e protestos em Minneapolis.





