O solicitante de asilo Steven Tendo, morador de Colchester, no estado de Vermont, foi libertado da prisão e autorizado a retornar à comunidade após decisão de um juiz federal que determinou sua soltura na última sexta-feira. A medida representa um novo capítulo na batalha judicial que ele trava para permanecer legalmente nos Estados Unidos.
Tendo havia sido preso por autoridades federais de imigração no dia 4 de fevereiro, no estacionamento de uma unidade de assistência para idosos em Shelburne, local onde trabalha na área da saúde. Após a detenção, ele foi transferido e permaneceu por duas semanas sob custódia no Strafford County Corrections, em Dover, New Hampshire.
Natural de Uganda, Tendo atua como cuidador licenciado e também como pastor religioso. Ele afirma ter sido preso e torturado pelo governo ugandense, alegação que fundamenta seu pedido de asilo nos Estados Unidos. A solicitação foi negada em 2019, mas desde então sua defesa tenta reabrir o processo.
Mesmo com a negativa, Tendo vinha sendo autorizado a permanecer no país sob regime de supervisão, com a obrigação de comparecer regularmente a reuniões de acompanhamento com o Serviço de Imigração. Uma dessas apresentações estava agendada para o início de fevereiro, porém — segundo decisão judicial — ele foi detido dias antes do encontro programado.
Na ordem de soltura, o juiz distrital de New Hampshire, Joseph Laplante, afirmou que as autoridades de imigração não seguiram os procedimentos adequados ao revogar o status que permitia que Tendo permanecesse em liberdade supervisionada. Diante da falha processual, determinou sua liberação imediata.
Em entrevista à rádio pública Vermont Public, Tendo classificou a detenção como injustificada.
“Minha prisão foi desnecessária. Eu segui todas as regras. Não dei nenhuma brecha ou motivo para que fizessem o que fizeram, mas fizeram mesmo assim”, declarou.
O caso ainda está longe de uma definição. Tendo possui uma nova reunião de acompanhamento com autoridades de imigração marcada para o próximo mês e mantém diversos pedidos em análise junto ao Board of Immigration Appeals. Entre eles, uma moção que solicita a suspensão da ordem final de remoção — medida que poderia impedir sua deportação enquanto o caso é reavaliado.
Segundo o advogado Chris Worth, membro da equipe de defesa, a reabertura do processo é crucial.
“Se o Conselho reabrir o caso, isso interrompe a deportação e dá a ele a oportunidade de provar que sua vida corre perigo em Uganda”, explicou.
A defesa também investiga outras alternativas legais que possam garantir sua permanência no país. Worth afirmou esperar que Tendo não volte a ser detido na próxima apresentação obrigatória.
A prisão do pastor e profissional de saúde gerou forte repercussão em Vermont. Comunidades médicas e religiosas manifestaram indignação, classificando a detenção como desproporcional. A delegação parlamentar do estado no Congresso também declarou estar “horrorizada” com a situação.
O University of Vermont Medical Center, onde Tendo trabalha como assistente de enfermagem licenciado, divulgou nota afirmando alívio com a libertação.
A porta-voz Annie Mackin declarou que a instituição aguarda seu retorno e continuará apoiando sua formação profissional rumo à certificação como enfermeiro registrado.
Sem resposta oficial do órgão federal de imigração sobre o caso, Tendo afirma que o apoio popular tem sido fundamental para manter sua esperança.
“Quero continuar acreditando que a justiça vai prevalecer. Hoje me sinto mais protegido pela comunidade do que nunca”, disse.
Enquanto aguarda as próximas decisões judiciais, ele retoma a rotina em Vermont sustentado pela fé, pelo trabalho e pelo apoio de uma comunidade que transformou sua luta individual em uma causa coletiva.





