Uma operação realizada na última segunda-feira (20) resultou na prisão de integrantes de uma ampla rede de fraude imigratória que atuava nos Estados Unidos e tinha como alvo, principalmente, a comunidade brasileira. O grupo, que operava sob o nome “Legacy Group”, é acusado de fraude, extorsão e organização criminosa.
As autoridades do Condado de Orange, na Flórida, relataram que entre os detidos estão os supostos líderes da organização Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva. Segundo as autoridades, o trio liderava um esquema sofisticado que explorava a vulnerabilidade de imigrantes em busca de regularização no país.
Além deles, também foram presos mais 10 funcionários, todos brasileiros.
De acordo com as investigações, os suspeitos se passavam por advogados de imigração para ganhar a confiança das vítimas. Como estratégia, divulgavam supostos “work permits” (autorizações de trabalho) falsos e prometiam soluções rápidas e garantidas para regularizar o status migratório — incluindo a oferta de pedidos de asilo, mesmo para pessoas que não se enquadravam nos critérios legais.
Ainda segundo as acusações, o grupo afirmava ser capaz de “colocar o imigrante de volta em status” por meio do asilo — uma promessa considerada inexistente dentro da legislação migratória dos Estados Unidos. Para reforçar a credibilidade, os envolvidos chegaram a copiar a identidade visual e o logotipo de um advogado conhecido na comunidade brasileira.
O esquema teria movimentado milhões de dólares ao longo de sua atuação, explorando o desconhecimento e o desespero de imigrantes em situação irregular.
Especialistas alertam que a apresentação de pedidos de asilo considerados fraudulentos ou sem base legal pode trazer consequências graves, incluindo a negação do processo, emissão de ordem de deportação e impactos permanentes em futuras tentativas de regularização no país.
O caso também acende um alerta para o aumento da fiscalização por parte das autoridades americanas. Nos últimos meses, o governo tem intensificado ações contra fraudes imigratórias, com foco especial no estado da Flórida, onde diversos grupos ilegais vêm atuando há anos.
Autoridades orientam que pessoas que tenham tido qualquer tipo de envolvimento com o grupo busquem imediatamente orientação jurídica qualificada. Dependendo da situação, o caso pode ser classificado como fraudulento ou “frívolo” pelo sistema imigratório, incluindo o U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) e tribunais de imigração, o que pode agravar ainda mais a situação do imigrante.
A operação reforça o alerta para que imigrantes procurem apenas profissionais devidamente licenciados e desconfiem de promessas de soluções rápidas ou garantidas — especialmente em um sistema migratório conhecido por sua complexidade e rigor.





