Um novo capítulo no embate entre autoridades estaduais e o governo federal sobre políticas migratórias ganhou força em Connecticut. Em meio a uma ação judicial movida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, líderes democratas no estado avançaram com um projeto de lei que impõe novas restrições à atuação de agentes de imigração.
A ofensiva federal foi formalizada no dia 12 de abril, quando o Departamento de Justiça entrou com um processo contra o governador Ned Lamont, o procurador-geral William Tong e autoridades da cidade de New Haven. A ação questiona a legalidade de leis locais, como o chamado “Trust Act” e políticas de cidades-santuário, sob o argumento de que elas violariam a Constituição ao limitar a cooperação com agentes federais de imigração.
Apesar da pressão, o Senado estadual aprovou, dias depois, o projeto SB 397, que amplia ainda mais as restrições. A proposta agora segue para análise na Câmara dos Deputados estadual. Entre os principais pontos, o texto proíbe que agentes — incluindo oficiais federais de imigração — atuem em áreas consideradas “protegidas” sem mandado judicial.
Essas áreas incluem escolas, hospitais, locais de culto, instalações públicas, parques e até manifestações em andamento, além de espaços adjacentes como estacionamentos. A medida surge em um contexto de aumento de detenções realizadas próximas a tribunais e outros locais públicos no estado.
Líderes democratas defendem que a proposta visa proteger moradores, independentemente do status migratório. Em coletiva de imprensa, o senador Bob Duff afirmou que o debate envolve a defesa de direitos constitucionais diante de ações federais consideradas excessivas. Já o senador Gary Winfield destacou que a medida busca garantir segurança para pessoas que vivem suas rotinas diárias, sem interferência inesperada de operações migratórias.
Por outro lado, críticos argumentam que leis como o Trust Act e a nova proposta podem dificultar a atuação das autoridades federais e, em alguns casos, permitir que indivíduos condenados por crimes permaneçam sob custódia estadual, gerando custos adicionais para os cofres públicos.
O tema tem gerado forte polarização política, refletindo o cenário nacional sobre imigração. Enquanto o governo federal sustenta que as restrições estaduais comprometem a aplicação da lei, autoridades locais afirmam que as medidas são necessárias para proteger direitos civis e evitar abusos.
Com o projeto agora na pauta da Câmara estadual, o debate deve se intensificar nas próximas semanas, podendo impactar diretamente a forma como operações de imigração são conduzidas em Connecticut.




