A brasileira Rita Linhares, de 46 anos, detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), afirmou estar enfrentando graves problemas de saúde e condições consideradas desumanas dentro do centro de detenção Delaney Hall, em Newark, no estado de Nova Jersey. O caso tem gerado preocupação entre familiares, advogados e ativistas de direitos humanos, especialmente após denúncias crescentes sobre maus-tratos e falta de atendimento médico adequado na unidade.
Segundo informações divulgadas pela imprensa americana, Rita foi presa no dia 29 de janeiro deste ano durante uma apresentação de rotina ao ICE, mesmo possuindo um pedido de visto T em andamento — modalidade destinada a vítimas de tráfico humano e outras formas graves de exploração.
A brasileira sofre de glaucoma, anemia, pressão alta e problemas circulatórios. Em carta enviada ao advogado Evan Hughes, Rita relatou que alguns medicamentos deixaram de ser fornecidos dentro do centro de detenção. Ela afirma que já passou por cirurgia nas veias devido à má circulação e que o remédio utilizado para controlar dores e inchaços nas pernas teria sido suspenso sob a justificativa de que seria um tratamento “cosmético”.
Na carta, Rita também descreveu o impacto físico e emocional da detenção. Segundo ela, a alimentação inadequada, a baixa exposição ao sol e as temperaturas frias estariam agravando sua condição de saúde. A brasileira relatou ainda dificuldades para dormir e afirmou que não recebeu medicação para ansiedade, apesar de ter procurado ajuda psicológica dentro da unidade.
A filha de Rita, Clara Linhares, de 18 anos, cidadã americana, afirmou que a mãe era sua principal cuidadora antes da prisão. Clara sofre de alopecia total e vitiligo, doenças autoimunes que, segundo ela, se agravaram após a detenção da mãe. A jovem relatou crises de ansiedade, depressão e o retorno da queda de cabelo provocada pela alopecia.
“Eu só quero minha mãe de volta em casa”, declarou Clara em entrevista reproduzida pela reportagem. Ela contou que visita Rita semanalmente e teme que o pai, também indocumentado, seja detido em breve durante uma nova apresentação ao ICE marcada para o mesmo dia de sua formatura escolar.
De acordo com a família, Rita e o marido retornaram aos Estados Unidos em 2022 após deixarem o país anos antes por conta de uma ordem de deportação. Eles alegam ter sido vítimas de ameaças e coerção durante a travessia pela fronteira do México, circunstâncias que fundamentaram o pedido do visto T.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) informou, por meio de nota, que Rita “recebeu atendimento médico adequado”, incluindo consultas, prescrições e acompanhamento odontológico. O órgão afirma que todos os detidos passam por avaliações médicas e psicológicas nas primeiras horas após a chegada ao centro de detenção.
Entretanto, o advogado Evan Hughes contestou a versão do governo e classificou as condições do local como “deploráveis”. Segundo ele, a saúde da brasileira vem se deteriorando rapidamente e existe preocupação sobre o tratamento oferecido aos imigrantes no local. Hughes também revelou que a defesa entrou com recursos na Justiça Federal questionando a legalidade da detenção e pedindo a reconsideração do caso migratório de Rita.
O centro de detenção Delaney Hall já vinha sendo alvo de denúncias antes do caso da brasileira ganhar repercussão. A unidade, administrada pela empresa privada GEO Group, passou a ser investigada após a morte do haitiano Jean Wilson Brutus, ocorrida em dezembro do ano passado. Desde então, dezenas de imigrantes relataram falta de medicamentos, alimentação insuficiente, frio extremo e supostos abusos por parte da segurança.
Organizações de defesa dos imigrantes afirmam que pelo menos 288 detentos assinaram cartas denunciando condições consideradas desumanas dentro do centro. Há ainda relatos de pessoas com HIV, diabetes e câncer sem acesso adequado a tratamento médico.
Ativistas locais pedem o fechamento da unidade e acusam o governo americano de manter famílias separadas e imigrantes em condições degradantes enquanto aguardam decisões judiciais sobre seus processos migratórios.




