Uma mulher sul-africana grávida foi detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) no Harry Reid International Airport, em Las Vegas, quando se preparava para embarcar em um voo com destino a Connecticut, onde vive com o noivo.
Nqobile Malangeni foi detida em 30 de julho, três dias depois de viajar para Las Vegas para comemorar seu aniversário. Segundo as informações divulgadas, a viagem de volta terminou com uma abordagem de agentes federais dentro do aeroporto.
Imagens divulgadas pela imprensa norte-americana mostram Malangeni cercada por seis agentes do ICE. Durante a abordagem, os agentes informam que ela havia permanecido nos Estados Unidos além do período autorizado e que existia contra ela uma ordem final de remoção.
O caso ganhou repercussão principalmente pelo fato de Malangeni estar grávida e viver em Connecticut com o noivo, que já serviu nas Forças Armadas dos Estados Unidos.
Em comunicado sobre o caso, o ICE afirmou que Malangeni entrou nos Estados Unidos em 2 de dezembro de 2023 e recebeu autorização para permanecer no país até 19 de junho de 2024.
Segundo a agência, ela não deixou os Estados Unidos após o término desse período e passou a permanecer no país sem autorização migratória válida.
O ICE informou ainda que, em 9 de fevereiro de 2026, um juiz de imigração emitiu uma ordem final de remoção contra a sul-africana.
“Ela permanecerá sob custódia do ICE enquanto aguarda a remoção”, informou a agência.
Registros do sistema de localização de detidos do ICE indicaram que Malangeni estava sendo mantida no Henderson Detention Center, em Nevada.
A detenção provocou forte impacto sobre o noivo de Malangeni, que serviu nas Forças Armadas norte-americanas. Em declarações à imprensa local, ele afirmou estar desesperado com a possibilidade de a companheira ser deportada.
Segundo ele, os dois planejavam se casar e construir a vida juntos nos Estados Unidos. Agora, diante da possibilidade de remoção para a África do Sul, ele teme inclusive não estar ao lado da companheira durante o nascimento do filho.
O homem pediu publicamente que o governo norte-americano liberte Malangeni enquanto sua situação migratória é discutida.
O fato de ela estar grávida ou de seu noivo ter servido nas Forças Armadas, entretanto, não elimina automaticamente uma ordem de remoção. Processos desse tipo dependem da situação migratória individual e de eventuais recursos apresentados perante as autoridades e tribunais de imigração.
A prisão acontece em um momento de forte endurecimento da fiscalização migratória nos Estados Unidos. Além do aumento das detenções e deportações, o governo norte-americano também ampliou a revisão e o cancelamento de vistos de estrangeiros.
Segundo dados divulgados pelo governo, mais de 175 mil vistos foram revogados, envolvendo diferentes situações e alegações de violações das leis norte-americanas.
O Departamento de Estado afirma que parte das revogações envolve estrangeiros acusados de crimes, incluindo agressão, furto e delitos relacionados a drogas. Mais de uma centena de vistos também teria sido cancelada em casos relacionados ao chamado “turismo de nascimento”, quando autoridades entendem que estrangeiros viajaram aos Estados Unidos com o objetivo de dar à luz no país para que os filhos obtivessem cidadania norte-americana.
Organizações de direitos civis e defensores de imigrantes têm criticado aspectos do endurecimento das políticas migratórias e do aumento da fiscalização, especialmente diante da expansão da análise de redes sociais e de preocupações relacionadas à liberdade de expressão.
No caso de Nqobile Malangeni, entretanto, o ICE sustenta que a detenção está diretamente relacionada ao fato de ela ter ultrapassado o período autorizado de permanência e possuir uma ordem final de remoção.
Enquanto o processo segue, a sul-africana permanece sob custódia federal, e seu noivo tenta evitar que a deportação separe o casal justamente durante a gravidez e antes do nascimento do filho.




