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Metade dos imigrantes com novos casos na Justiça do Arizona enfrenta processo sem advogado

Em meio à intensificação da fiscalização migratória nos Estados Unidos, milhares de imigrantes estão enfrentando processos que podem terminar em deportação sem contar com um advogado. No Arizona, apenas 49,8% dos imigrantes com casos apresentados à Justiça de Imigração nos 90 dias anteriores a agosto de 2026 tinham representação legal.

Os números fazem parte de um levantamento do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), que analisou dados dos tribunais de imigração até agosto. Entre 1.325 casos recentes envolvendo residentes do Arizona, somente 660 contavam com advogado.

Quando considerados todos os processos pendentes no estado, inclusive aqueles iniciados meses ou anos antes, a situação melhora: 63,6% dos imigrantes estavam representados por advogados. Eram 15.120 pessoas com representação entre 23.764 casos pendentes.

A diferença ocorre, entre outros fatores, porque imigrantes podem conseguir representação depois que o processo já começou. O próprio TRAC observa que as taxas normalmente aumentam conforme a pessoa tem mais tempo para encontrar um advogado.

Uma das características mais importantes da Justiça de Imigração americana é que os processos são de natureza civil. Diferentemente do sistema criminal, não existe garantia geral de que o governo federal fornecerá gratuitamente um advogado ao imigrante que não tenha condições de contratar um.

Enquanto o governo é representado por seus próprios advogados, o imigrante precisa contratar um profissional, conseguir assistência de organizações ou encontrar representação gratuita. Essa realidade também pode atingir menores de idade e crianças desacompanhadas.

O problema não está restrito ao Arizona. Segundo o TRAC, a proporção de pessoas representadas por advogado em casos concluídos nos tribunais de imigração caiu de 63% no ano fiscal de 2021 para 32% no ano fiscal de 2026, considerando os dados disponíveis até agosto.

Outro dado revela a dimensão da situação: entre os casos em que uma ordem de remoção foi emitida em agosto de 2026, apenas 24% dos imigrantes em todo o país tinham advogado, incluindo menores desacompanhados.

A preocupação aumentou depois que terminou, neste verão, um contrato federal destinado ao financiamento de serviços jurídicos para menores imigrantes desacompanhados. A mudança colocou dezenas de milhares de crianças sob risco de atravessar o sistema migratório sem assistência jurídica, segundo reportagem da AZ Luminaria.

No Arizona, o Florence Immigrant & Refugee Rights Project, organização sediada em Tucson, informou que continuaria prestando assistência a crianças enquanto tivesse recursos disponíveis. O grupo também defende um modelo de representação universal, no qual todo imigrante submetido ao processo migratório possa contar com um advogado.

Os novos dados mostram um dos principais desafios enfrentados por quem passa atualmente pelos tribunais de imigração: ao mesmo tempo em que o governo está representado juridicamente durante o processo, uma parcela significativa dos imigrantes precisa enfrentar sozinha procedimentos que podem resultar em sua retirada dos Estados Unidos.

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