Uma série de operações realizadas por agentes de imigração em Danbury, Connecticut, provocou forte mobilização da comunidade e levou autoridades, organizações e moradores às ruas para protestar contra a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Segundo informações divulgadas por grupos locais, pelo menos 65 famílias de Danbury teriam sido afetadas por detenções entre os dias 24 e 28 de agosto, enquanto aproximadamente uma dúzia de veículos do ICE circulava pela cidade. Considerando também municípios próximos, o número de detenções teria chegado a 100 pessoas.
A reação culminou no chamado “Day Without Immigrants” (Dia Sem Imigrantes), uma mobilização que incentivou moradores a não trabalhar, estudar ou fazer compras durante o dia. Cerca de 60 estabelecimentos comerciais fecharam as portas em solidariedade, enquanto quase 2 mil pessoas participaram de uma manifestação, descrita no material como a maior já realizada na cidade.
A mobilização contou ainda com a presença de autoridades estaduais, federais e municipais. Entre as principais reivindicações apresentadas pela organização Danbury United for Immigrants estava a abertura de uma investigação do Congresso sobre as operações migratórias realizadas na região.
Após a manifestação, o senador democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, anunciou uma investigação formal sobre as táticas e o treinamento utilizados pelo ICE. O parlamentar, que integra a liderança da Subcomissão Permanente de Investigações do Senado, também realizou um fórum para ouvir relatos de pessoas afetadas pelas ações.
Organizações comunitárias fizeram acusações graves sobre a forma como algumas abordagens teriam ocorrido. O grupo Husky 4 Immigrants afirmou que agentes teriam utilizado força física e tasers, quebrado vidros e prendido pais diante dos filhos. Segundo a organização, houve detenções nas proximidades de uma creche, em estacionamento de supermercado, diante de residências e enquanto pais levavam crianças para pontos de ônibus escolar.
O prefeito de Danbury, Roberto Alves, que chegou aos Estados Unidos vindo do Brasil aos cinco anos de idade, também participou da manifestação. Durante seu discurso, Alves relembrou a experiência de ter crescido sem status migratório regular até os 20 anos e afirmou que sua administração não estava sendo informada previamente sobre as ações federais.
Segundo o prefeito, ele não sabia por que os agentes estavam na cidade, por quanto tempo permaneceriam ou quem havia sido detido, alegando que o ICE não fornecia essas informações ao governo municipal. Alves pediu união à comunidade e incentivou moradores a apoiar organizações e estabelecimentos afetados pelas mobilizações.
O impacto das operações também chegou às escolas. Um professor de História de Danbury relatou que alunos disseram ter presenciado detenções e que crianças estariam emocionalmente abaladas com a situação. A presidente da Connecticut Education Association, Kate Diaz, afirmou que famílias estavam mantendo filhos em casa por medo do que poderia acontecer durante o trajeto para a escola.
Segundo o material, 35% da população de Danbury nasceu fora dos Estados Unidos, característica que faz da cidade uma das comunidades mais diversas do país.
Além da investigação sobre a atuação dos agentes, organizações envolvidas na mobilização defendem a criação de um fundo estadual de US$ 50 milhões destinado a oferecer assistência jurídica e apoio às famílias afetadas pelas operações migratórias. Também pedem que autoridades estaduais adotem medidas para responsabilizar o ICE por eventuais irregularidades.
A mobilização não ficou restrita a Danbury. Atos de solidariedade também foram realizados em New Haven e Willimantic, ampliando a reação às operações migratórias para outras regiões de Connecticut.




