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Homem é acusado de obrigar mulher a se casar com imigrante em Connecticut para conseguir Green Card

Um homem de Nova York está sendo julgado sob acusações de tráfico sexual, violência e exploração de uma mulher que teria sido obrigada a se casar com um imigrante em Connecticut para ajudá-lo a obter benefícios migratórios nos Estados Unidos. O caso, ocorrido em 2023, ganhou repercussão em meio às recentes mudanças na legislação estadual destinadas a combater casamentos fraudulentos e possíveis esquemas de tráfico humano.

Christopher Witherspoon, conhecido pelo apelido de “Maniak”, responde a acusações de tráfico sexual, promoção da prostituição, posse criminosa de arma, ato sexual criminoso e conspiração. Ele se declarou inocente e permanece detido, com fianças que totalizam US$ 800 mil.

De acordo com documentos judiciais, a vítima, de 35 anos, estava no terminal rodoviário Port Authority, em Manhattan, em 29 de janeiro de 2023, quando foi abordada por um mecânico de ônibus que ofereceu ajuda para encontrar um lugar onde ficar. O funcionário teria acionado outras pessoas, que organizaram o encontro da mulher com Witherspoon.

Segundo os promotores, o acusado levou a vítima para seu apartamento no Harlem, onde passou a ameaçá-la e agredi-la, obrigando-a a manter relações sexuais com homens em troca de dinheiro. As investigações apontam que ela foi explorada em hotéis nos bairros de Queens e Bronx, além de ter o acesso ao telefone restringido e ser impedida de conversar com os próprios filhos.

 

Casamento teria sido realizado mediante ameaças

Em determinado momento, Witherspoon teria informado à mulher que ela precisava se casar com um homem disposto a pagar pela união para conseguir benefícios imigratórios.

Conforme a denúncia, a vítima foi ameaçada de agressões físicas e golpes com uma arma de fogo caso recusasse o casamento.

O acusado teria organizado o encontro com o interessado, um imigrante indiano na faixa dos 40 anos, residente em Nova York. O homem levou a mulher até Bridgeport, Connecticut, onde a cerimônia foi realizada no início de fevereiro de 2023.

A licença matrimonial obtida pelo jornal CT Insider identifica Wanda Geter-Pataky, juíza de paz e ex-integrante da organização local do Partido Democrata, como responsável pela celebração.

Não há informações de que ela tivesse conhecimento das supostas ameaças ou de qualquer irregularidade envolvendo a união.

O caso veio à tona depois que a vítima conseguiu pedir ajuda às autoridades. Em 9 de fevereiro de 2023, Witherspoon teria agredido a mulher durante uma discussão relacionada à compra de alimentos. Ela conseguiu ligar para o serviço de emergência 911, e o suspeito foi preso no dia seguinte.

 

Connecticut endurece legislação contra casamentos fraudulentos

O episódio reforçou preocupações das autoridades de Connecticut sobre a realização de casamentos rápidos envolvendo pessoas que chegam de outros estados.

Uma investigação do CT Insider revelou que agentes federais de imigração haviam procurado autoridades municipais para obter informações sobre possíveis irregularidades em cerimônias envolvendo cidadãos americanos e estrangeiros.

Diante das suspeitas, parlamentares estaduais aprovaram uma legislação que estabelece um período de espera de 48 horas para a obtenção da licença de casamento, além de ampliar a fiscalização sobre os juízes de paz.

A deputada estadual Eleni Kavros DeGraw, uma das responsáveis pela elaboração da lei, afirmou que a possibilidade de tráfico humano sempre esteve entre suas preocupações. Ela também defendeu a criação de um banco de dados estadual para identificar pessoas envolvidas em múltiplos casamentos.

Nos Estados Unidos, o casamento legítimo com um cidadão americano pode abrir caminho para a obtenção do Green Card. Entretanto, uniões realizadas exclusivamente para conseguir benefícios migratórios podem configurar fraude, sujeitando os envolvidos a consequências criminais e imigratórias.

O processo contra Witherspoon é apontado como pelo menos o quinto caso criminal relacionado a casamentos realizados em Connecticut nos últimos dois anos, mas se destaca pelas acusações de tráfico sexual associadas à cerimônia.

O julgamento prossegue em Nova York. As acusações ainda precisam ser comprovadas judicialmente, e o réu mantém o direito à presunção de inocência.

Fonte: CT Insider e documentos judiciais de Nova York.

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